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30 de set de 2016

Encontrei por aí

"Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas, valem muito mais que isso...
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto..."
[José Saramago]


Será mesmo do Saramago?

Justine a palavra é sua.

29 de set de 2016

Gostosuras da Infância

Existem alguns doces e sobremesas que não precisam de nomes bonitos nem sofisticados. Basta que tragam aquele saboroso gostinho de infância.
Peras em calda eu coloco nessa lista. Como de olhos fechados. Gosto de todo jeito, quente, gelada, calda que vira refrigério no verão. Com muita canela e uma pitada de cravo da índia, açúcar e nada mais é a que mais gosto. Ou coroando com calda de chocolate. Mais chique? Fervida em vinho tinto e especiarias. Assadas no forno...
Então com sua licença, que agora vou preparar as que comprei no sacolão do bairro de manhã. Lindas, suculentas e cheirosas.


2 de set de 2016

Darcy, meu Eros sem Tanatos


Confesso sem receio: Eu tinha uma queda por esse cara. Nada erótico, nada hormonal. Aquele jeitinho dele de olhar e, principalmente, o sorriso maroto, o mastigadinho apressado da fala me paralisavam em frente à televisão, enquanto ele desfiava sua cultura e paixão por tudo. Vi e ouvi todas as entrevistas que pude. Revi muitas. Não disse que tinha uma queda? Era uma queda e tanto! Não acompanhei a carreira política, exílio, etc, nem nada, não é uma avaliação de seu desempenho isto aqui. 
Eu sabia de seu envolvimento e amor sem medida pelo povo como uma unidade, sem patriotada, e pelos índios E pelas mulheres!
Era um namorador, conquistador incorrigível, apaixonado pelo corpo e alma das mulheres. Ai de mim se eu o tivesse conhecido ou convivido com ele. Seria um voo sem volta. Ele era um apaixonado também pelo amor, pela sensualidade, pela vida.
Tive a enorme, a indescritível sorte de comprar Casa Grande e Senzala(40ª edição da Record) prefaciada por ele. Já li e reli incontáveis vezes aquela enormidade de prefácio. São páginas e páginas de pura sedução, cultura, lirismo, humor e paixão. Quase nem li o livro, tamanha a capacidade de Darcy de cativar com um assunto que poderia ser tão árido como a composição e características de todos os tipos da raça brasileira, seus encantos e mazelas.Quem tiver a oportunidade leia. Só o prefácio dele já vale o livro.
Há uma frase que ele reproduziu em uma entrevista, de uma história de um índio, que me emociona. Haviam morrido a mulher desse índio e seu filho. Contava Darcy que o amor que tinham era tanto, que o índio simplesmente deitou na rede "e se morreu".
Apagou de amor. "Ele se morreu" é diferente de "ele se matou" ou "ele se suicidou". Que frase!
Instigada por um texto escrito  no Facebook sobre o amor, retornei a um livro que devorei aos prantos quando ele morreu: Eros e Tanatos.
Ele queria, implorava em poesia para viver mais e escancarou o que tinha para negociar por mais e mais e mostrou as razões do pedido, contou das mulheres que amou, por quem se apaixonou, com quem apenas esbanjou sensualidade.
Segue a introdução a uma das partes do livro(página 62), onde ele começa a mostrar a paixão pelo feminino e grita por mais tempo. O Eros.
"Amar é meu modo de viver. No amor floresço.Sem amor, murcho. Falo do amor inteiro, carnal e sentimental. Há o só carnal. Tesões ferozes que às vezes nem se concretizam nunca, mas ai ficam, cultivadas no peito, no sexo, contaminando as confluências amorosas e as circunstanciais. Há, também, o outro, o só espiritual. Anjo sem asas se arrastando, saltitante. É, às vezes, o triste destino do amor exaurido, se convertendo em amizade fraternal, digno. Digníssimo até, mas insípido. Insipidíssimo. Deus me livre e guarde,(Darcy Ribeiiro, Migo,1988)"
Que saudade de você, Darcy das paixões todas!