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31 de ago de 2016

Para uma amizade quase amor




Inquietude
Quem mandou, oh, incauta, abrir uma fresta da cortina e deixar que entrasse a luz?
Quem mandou abrir a caixa de recortes, flores secas, bilhetes e fitas?
Quem mandou que trouxesses as palavras há tanto guardadas, 

que se transformaram em espada e te puseram no chão,
sofrendo por um amor que nem tiveste?
Quem te guia, zonza de lembranças,
por esta noite sem lua, sem rumo?
Quem mandou revolver o fundo do lago?
Isso é só o desejo impossível de ser tudo outra vez, tonta!
Guarda presto essa saudade do que nem foi vivido,
essa agonia do que teria sido.
Nessa lembrança jamais houve qualquer plano.
Por que sentes saudade do que foi apenas 
a doçura de um risco no céu?
Fica em silêncio, afoga o nó na garganta.
Deixa que repouse a cortina outra vez
antes que desembeste a represa.I
Repousa o passado onde lhe cabe ficar.
Cerra os lábios e te cala. 
Tira dos olhos as imagens do que nem foi amor,
mas violento e enganoso fogo que tudo consumiu.


Menos a lembrança, essa cruel companhia que me trai.

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