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30 de nov de 2011

Pão-duro é o porco canne!

Recebi essa piada já umas dez vezes. Na semana passada duas. Hoje chega de novo. Então vou espalhar e comentar o que me inspira essa fama.

A Piada

Una nonna bem italiana ao telefone indica sua moradia ao neto que quer visitá-la com sua nova mulher:
- Quando vocês chegarem no prédio, na porta da  frente tem um grande painel.
Io moro no apartamento 301. Aperte  o botón do interfone com o cotovelo, que io abro a porta. Entrem, o elevadore é à direita. Aperta o tré com o cotovelo.
Quando vocês saírem do elevadore, mio apartamento é nas esquerda.
Com o cotovelo, apertem a campainha. Tcherto?
- Vó,  parece fácil, mas... por que tenho que apertar todos esses botões  com o cotovelo?"
- Máaaaah que!!!!!!!!  Dio mio!!!!!  Tão vindo de mão vazia?????
(Essa escrita italiana é pior do que a minha.)


A piada é bem velhinha e falsa. Italiano nunca chega de mão vazia e nunca sai de mão vazia. A barriga sempre sai cheia, porque família de italiano quando se visita mastiga o dia inteiro. É coisa de louco! Se for a casa da mãe então, fica perguntando se quer comer isto ou aquilo a cada 15 minutos. Vocês não fazem ideia do que é um grande casamento de colonos italianos. Três dias comendo sem parar.

Eu aprendi e pratico essa lei de generosidade italiana desde cedo, quando minha mãe saía pra visitar as comadres. Era um ritual isso de procurar o que levar. A visitada morria de vergonha se não arranjasse alguma coisa pra retribuir. Imagine deixar a visita sair de mão abanando. Não demorava dois dias e ela aparecia pra retribuir com qualquer coisa. Geralmente comida, frutas, legumes, uma sobremesa.

Italiano tem fama de pão-duro, mas é mais econômico que pão-duro, porque veio da Itália durante a 2ª guerra e passou muita fome aqui no Brasil antes de começar a plantar e colher. Uma polenta tinha que durar 3 dias e todos os 12 filhos olhavam pro salame pendurado no teto... e comiam polenta. hahahaha!

Havia um costume muito bonito, que começou essa troca de pequenos presentes, sempre comidas, que levavam aos visitados. É que quando sabiam que uma família estava passando necessidade, faziam o que se chama de filó, que é a visita noturna. Lá na Itália já era assim. Era um jeito de ajudar sem humilhar o necessitado. Italiano é orgulhoso e pra aceitar caridade, pensa que é assim é? Às vezes era só visita mesmo, pra ouvir o rádio, cantar as velhas canções italianas, conversar, conversar e conversar. Os donos da casa morrendo de sono, criançada pequena chorando, uma gargalhada enfeitando a conversa.

A volta era debaixo da luz da lua, de madrugada, criançada arrastando as pernas cansadas.

Tive a sorte de participar de várias dessas visitas em Seara, na minha infância. Nos antigamentes eles andavam muitos e muitos quilômetros. No meu caso eram visitas de amizade, gente da vizinhança próxima, que se reunia na casa de alguém a convite ou de combinação. Tenho muitas lembranças de caminhar numa noite limpa, céu cheio de estrelas e muitas vezes frio de rachar.

As visitas, os filós, coincidiam com uma farta pescaria ou caçada(quando a palavra ecologia nem existia ainda), ou época de melancia, ou um  bello brodo no inverno, um porco que virava torresmo, copa, salame,...

Os próprios descendentes faziam piada entre si dessa fama de pãodurismo. Meu tio por parte de pai, que morava na velha casa dos nonos, repetia sempre que íamos visitá-lo: Come! Come! Depois não vai chegá em casa e contá pra mãe que passô fome, é! E descolava um sorriso maroto, porque sabia que a mesa era mais que farta.

Os cheiros de comida da roça, que começavam no café da manhã são inesquecíveis até hoje.

Italiano é assim. Enche a barriga de quem chega e as cabeças de seus descendentes de lindas lembranças.

29 de nov de 2011

Que Glória!

No final deste texto vem um suspiro.

Estar feliz é isso. Estar em paz é isso.


Essa paz antecedeu a partida de seu grande(em todos os sentidos) companheiro
Tobias. 

28 de nov de 2011

Erva Daninha

Alguns já nascem maus, de má índole, com as raízes fincadas bem fundo na maldade. Desde o berço são ranhetas, teimosos, rudes desde a infância, odiosos desde a adolescência. Tramam, aprontam, mentem, maltratam. Quando se transformam em bandos não há lógica nem bom senso que os segure.

O que eu afirmo desde sempre agora a psiquiatria vem desenrolando e confirma. Não nascemos tábulas rasas para que o ambiente e as circunstãncias nos moldem. Não, absolutamente. Alguns brotam de espinheiros e viram pessoas amistosas, generosas: outros nascem em jardins e são carentes de uma parte neural, ou seja o que for que lhes falte ou que tenham a mais, e não perdem a chance de demonstrar sua mesquinhez e maldade.

Hoje seria dia de um texto brilhante de uma amiga, que teve momentos de paz antes de ver seu amigo cão partir, mas há algo em minha mente que não sossega e precisa ser desembrulhado, compartilhado.

Um motorista aposentado, 59 anos, continua a trabalhar para conseguir sobreviver. Passa mal ao volante do ônibus e bate em um carro estacionado em frente a um local onde havia um baile funk(eu detesto isso, me permitam dizer).  Uma passageira puxa o freio de mão e consegue parar o ônibus.

O que faz a turba enraivecida ao perceber o ocorrido? Procura socorrer o motorista e depois acionar o seguro, cobrar do dono da empresa os prejuízos? Se alguns não tivessem nascido com a raiz da pura maldade, sim. Mas eles se juntam e espancam o homem. O freio se solta durante o espancamento e o ônibus desgovernado bate em mais carros.

Ainda não decidiram se o homem morreu do mal súbito ou do espancamento.

Virá a lei com suas artimanhas e defenderá essas ervas daninhas, imputando-lhes insanidade. Que não servirá para deixá-los apodrecer numa cela, mas para livrá-los, a fim de que perpetuem através de seu exemplo, mais maldade.

26 de nov de 2011

Recomendo para o final de semana


Quem está acostumado a ver essa dupla em filmes de ação e policiais vai  ficar boquiaberto com a interpretação deles  neste filme . Não que seja duvidosa qualidade de ambos, mas  é um show de expressão, entonação, timing, ritmo.  Você tem a impressão de estar no teatro.

Os diálogos são uma outra aula. É o tipo de filme para se ver mais de uma vez e filosofar a respeito das convicções que cada um deles defende. Cada frase deles poderia gerar uma palestra. 

Nenhuma superprodução, nenhum efeito especial, nem cenários luxuosos ou figurinos milionários. Dois homens expondo suas razões, suas convicções, sua vida, seus medos, seu desespero, seu ódio, seu amor, suas crenças, suas descrenças.

Será difícil achar quem tem razão sobre qualquer um dos assuntos abordados, isso eu aposto!

24 de nov de 2011

União Europeia


Reparem que há respingos suficientes para todos os continentes e países.
Se um deles resolver se sacudir ou sair do poleiro...

Recebi de Lê, sem identificação de autoria.

Não resolve, ajuda.

Pode chamar de apelação


Dez atitudes que valorizam você

Atitudes para você adotar no dia-a-dia e se sair bem com eles. Sem machismo. Não se trata de mudar sua vida só para agradar os moços, mas de ficar de bem com você mesma e, como consequência, atrair gente bacana.

1. Sorria, meu bem, sorria!
Homens adoram mulheres de bem com a vida. Aliás, todo mundo gosta de gente de bem com a vida, que sabe sorrir e tem talento para perceber o lado bom das situações. Esse deveria ser nosso exercício mais frequente. Ter dias de mau humor é um direito adquirido (ainda mais para nós, que somos regidas pelos hormônios), mas aproveite esses dias pra ler um livro ou assistir TV em casa. Ficar reclamando do sapato (que está apertado), do trânsito (que está parado), da sua chefe (que também estava na TPM hoje) afugenta qualquer um.

2. Invista em você
Mostrar interesse pelas coisas que ele faz (e por ele, consequentemente) é importante, mas ser ativa, levar sua própria vida, se atualizar e ter seus próprios interesses é mais ainda. Está sobrando tempo? Ótimo. Aproveite para fazer um curso novo, planejar uma viagem (mesmo que você não possa fazer agora), começar um hobby. Indo de casa para o trabalho e vice-versa, você não vai ter muito assunto para conversar com ele. Além de tornar sua vida muito sem graça.

3. Não reclame dos homens (na frente deles!)
Fazer pose de encalhada nem pensar. Com o déficit masculino no mercado é comum encontrar mulheres dizendo que se desiludiram e já se conformaram com o posto de titia. Tudo bem falar isso entre amigas, é divertido, mas anunciar por aí que desistiu do sexo masculino é assinar atestado de solteirona. Nenhum homem vai apostar no que ninguém quis até agora. Mesmo porque a gente sabe que tanta convicção só dura até a próxima tentativa...

4. Mantenha seus amigos
Se vocês acabaram de se conhecer ou se já estão se encontrando há um tempo, não importa. Continue saindo, viajando e se encontrando com os seus amigos. Isso fortalece a auto-estima, garante sua dose diária de afeto e a diversão no final de semana. De vez em quando, faça questão de programas exclusivos com eles. É um sinal positivo de independência. Mostra que, quando seu futuro par quiser jogar futebol à noite, você não vai ficar ligando toda hora para saber a que horas vão se encontrar. Mesmo que você nunca tenha pensado em fazer isso, homens têm horror a essa postura.

5. Seja você mesma   
Não tenha medo de dizer o que pensa. Inventar uma personalidade para agradar os homens só vai atrair gente que não tem nada a ver com você. Abaixar a cabeça para tudo e adotar uma atitude submissa também é uma fria. Os homens admiram mulheres autênticas. Isso não quer dizer que você tem que brigar por suas ideias, mas que deve ser sincera. Ou seu admirador pode descobrir mais tarde que você não é bem quem ele estava pensando.

6. Conserve o mistério
Preste atenção: essa atitude não contradiz a anterior. Manter um certo mistério a respeito de você e de sua vida estimula os homens a tentar descobrir mais. Ser autêntica não significa descrever sua vida e sua rotina para o rapaz e dá para unir mistério e autenticidade numa boa. É só não contar, por exemplo, tudo o que você fez a cada minuto no final de semana na praia com seus amigos. Mesmo que não tenha acontecido nada demais, ele vai tentar imaginar o que rolou. E isso cria um ciuminho saudável.

7. Paquere, mas mantenha a classe
Paquerar é ótimo, mas se você está há tempos de olho nele, o rapaz já deve ter percebido. Assediar um homem abertamente e de uma maneira agressiva só vai fazer ele perder o respeito por você. É triste, mas é a real. Se você quer dar o primeiro passo, faça com classe e criatividade. Um amigo contou que estava em um bar da moda com os amigos e uma garota sorriu para ele e o chamou. "Quando eu cheguei até ela, ela olhou assustada e me disse: 'Desculpe, mas não chamei ninguém!' Dei risada e percebi que ela tinha conseguido o que queria: já estávamos lá, conversando"

8. Jogue o jogo da sedução
Aquele jogo do bate e depois assopra funciona. Se ele está quase na sua, de vez em quando jogue um charme e depois saia em retirada. Mas tudo tem limite. Não vá enlouquecer o moço e sair correndo no minuto seguinte. Mas experimente lançar olhares mal-intencionados ou dar pistas que você está a fim dele no meio da conversa. Com certeza ele vai ficar pensando nisso por um tempo depois de você ter ido embora.

9. Vaidade é fundamental
Mantenha-se em dia com a manicure, escolha uma roupa legal, dê sempre um jeito nos cabelos, mesmo que seja para ir ao escritório em que você trabalha há anos. Quem vê uma mulher assim conclui que, no mínimo, ela está de bem com sua aparência (até você gosta de se olhar quando está assim, não é?). Mas faça isso sempre. Se ele te conheceu em uma boate e gostou do que viu, nada de aparecer de gata borralheira quando ele for a sua casa no sábado. Não há interesse que resista.

10. Deixe claro que ele foi o escolhido
Quando vocês finalmente ficarem juntos, mostre que para ficar com ele você procurou, analisou e selecionou o melhor. É uma massagem para o ego e não alimenta a tal insegurança masculina com essas mulheres tão liberadas. Em contrapartida, ele vai concluir que, depois de tudo isso, você é mesmo uma mulher especial e vai sentir que estar ao seu lado é o máximo.

Guardo esse texto há muito tempo e não tenho referência de autoria.

21 de nov de 2011

Dia de quê?

Descubro com atraso, o que não me espanta, que no dia 1º de Novembro comemorou-se o Dia Internacional do Homem.

Mas o que é meninos? Nem vocês fizeram festa?

Com  o feriadão em vista eles nem repararam no motivo a mais pra se vangloriar disso e daquilo.

Que bom que vocês são assim tão tão, o que nos faz parecer ainda melhores.

Um beijo, meninos! Ano que vem os cumprimentos serão pontuais.
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Hoje comemora-se o Dia da Liberdade, da Homeopatia , da Televisão e das Saudações. Então sinta-se livre para tomar um remedinho homeopático em frente à televisão e bye, bye!

Para saber o que mais se comemora hoje, clique aqui e esqueça o relógio.

20 de nov de 2011

Tal e qual

Desde que esse rapazinho com essa carinha de inocente chegou ...

cenas como essas fazem parte da rotina. 



A diferença é que eu sei quem provocou os desastres.

18 de nov de 2011

16 de nov de 2011

A prática é melhor do que a gramática

A professora de língua portuguesa deu como tarefa a crianças,  que fizessem contato via internet e marcassem encontro com pedófilos, para que a polícia os prendesse.

Alerta para pais e responsáveis por crianças e adolescentes: conversem, questionem, olhem os cadernos e livros deles, ensinem, vigiem, participem da vida escolar deles, mantenham o computador em lugar de circulação de adultos, não no quarto deles. Bloqueiem sites. Instalem software de vigilância.

Para a professora:

Gostaria de sugerir que ela faça ponto na Avenida São João por algumas noites, para que a polícia prenda os gigilôs e fregueses. Que tal, desmiolada?

14 de nov de 2011

Direto de Portugal

 Tomo emprestado o texto de Mário Prata. É preciso ler com sutac.


RECEBO, de Lisboa, da minha boa amiga e cantora lírica Luiza Sawaya, um bilhete com um dicionário hilário, desta vez escrito pelos próprios portugueses. Diz Luiza: "Envio esta toalha do Movies Café (ali no novo Saldanha. Ficou excelente.) para você saborear o nascente senso de humor português. Estão a melhoraire."
Portanto o que segue é coisa de português mesmo.
''Facto: o inglês é a língua mais usada no cinema. Outro facto: poucos portugueses sabem falar bem inglês. Mais um facto: o Movies interessa-se muito por línguas. Consequência: tomem lá suas lições de inglês.
Can—Subs. Para se dirigir a uma pessoa. Can vem lá?
Can't—Adj. Muito usado no verão. Estava um dia can't e abafado.
Year—Subs. Acto ou ação de partir. Tive que year emborar
Beat—Verb. Expressão muito usada no norte. Beat ontem na festa.
Eye—Subs. Expressão de indignação. Eye que assim não pode ser.
Feel—Verb. Pequena corda. Feel dental.
Ice—Subs. Expressão de desejo. Ice ela quisesse...
Vase—Subs. Expressão de ordenação. Um de cada vase, por favor!
So so—Subs. Personagem bíblica. So so e Dalila.
Dark — Verb. Expressão popular. Mais vale dark receber.
Dick—Subs. Expressão amorosa. Dick vale a pena viver sem ti!
Read—Subs. Muito usada na pesca. Para mim, tudo o que vem à read, é peixe.
Jack—Subs. Acto de acomodação. Jack estamos aqui, vamos comer.
Floor—Subs. Expressão de rejeição. Ele não é floor que se cheire.
Loose—Subs. Acto de desligar. Fecha a loose, que já é tarde.
Light—Subs. Substância nutritiva. Olhe, eu queria um copo de light, se faz favor.
Say—Verb. Dúvida filosófica. Eu só say que nada say.
Machine—Verb. Acto de pensar. Machine só, fui aumentado!
Mad—Verb. Máxima antiga. Um homem não se mad aos palmos.
Suck—Subs. Muito popular no Brasil. Não enche o suck!
Rave — Subs. Expressão de indignação. Irritou-se tanto que fiquei cheio de rave!
Hype—Subs. Ingrediente de cozinha. Não te esqueças de juntar hype na sopa.
Cool— Subs. Parte do corpo humano. Se não te calas, levas um pontapé no cool!
Dig—Verb. Tomar uma atitude. Eu geralmente dig tudo o que tenho para dizer.
Crash —Verb. Expressão de ameaça. Crash e aparece!
Movies—Verb. Expressão de movimento. Pára! E não te movies!
Steve—Verb. Eu steve para ir, mas não fui. Estava a chuveire."
Mário Prata-Estado de São Paulo 11/05/1994


10 de nov de 2011

Com laço de fita de cetim

Isto é um presente para você.

Por favor, clique sobre o retângulo no cantinho esquerdo da barra inferior para ver em tela cheia.

7 de nov de 2011

Direto de uma Kombi

Você diria que um cara que se enfia numa Kombi e anda pelo país(de São Paulo até o Oiapoque) é doido de pedra? Pois esse tal de Antonio Lino, que é um cara bem assuntado, fez essa loucura. Tirou fotos sem parar, entrou em muitas roubadas, acidentes e tudo mais, escreveu um livro sobre a viagem(inclusive  sobre os cafundós dele), tem blog, tem muitas coisas. E tem este mapa  Que é uma viagem!

Assim por acaso ele tem também uma galeria de fotos de outros continentes e países. Explore.

4 de nov de 2011

A Mala

Meu pai tinha uma mala do tempo em que prestou serviço militar(lá pelos 1900 e poucos). De madeira. No centro da tampa uma plaquinha de metal com o nome dele. Nos cantos reforços de metal, que era melhor manter longe das canelas quando se carregava. (Essa da foto é igualzinha. Só falta a plaquinha com o nome.)
Eu olhava aquela mala e pensava em como deveria ter sido especial  para a família enorme e pobre arranjar uma mala que se prestasse ao que dela se pedia e, ainda mais, resistir até o término do serviço militar. Pois durou mais, muito mais que os dois anos de sabe-se lá que serviços além de cuidar do cavalo do comandante.
Entrou ano, saiu ano, nascidos os filhos todos, um belo dia aquela mala fez o trajeto que me levou ao internato, em 1965. 
A rotina de chegada consistia, entre outras coisas, em abrir a mala e colocar seu conteúdo, muito bem distribuído, primeiro sobre a cama (gente, quanta cama!) e depois no armário e criado mudo. A ordem era tanta que eu não sei como não desenvolvi  TOC.
Mas não pensem que foi só chegar, abrir a mala e descobrir o número de meu armário entre centenas. Não. Havia um cerimonial que servia para que as mais antigas moradoras descobrissem muita coisa sobre quem chegava. O conteúdo da mala dizia tudo.
Pois daquela vez quebraram a cara, porque eu apareci...com uma mala de madeira! Quem liga para o que tem dentro de uma mala de madeira? Elas perguntavam: Mas é de madeira mesmo? E batiam com os nós dos dedos para confirmar.
Qualquer novidade vira mofo depois de um tempo e ninguém mais ligava para a tal mala de madeira, que uma ou duas vezes por ano enchia a barriguinha e fazia o trajeto de volta para casa e de novo para o colégio. Ela sempre resistiu bem aos solavancos e curvas da antiga estrada entre Seara e Concórdia. Já havia resistido por décadas desde que meu pai a usara. Uns quilômetros a mais, ora quem se importa?
Até que chegou o dia em que a adolescente (tão tímida que morria de medo de chamar a atenção na rua, fosse por qual motivo fosse, mesmo por arrastar o calçado), virou atração na avenida, enquanto corria para a rodoviária, debaixo de um sol de rachar coco. Por causa da mala, claro.
Há coisas que morrem sem explicação e jamais saberei por que cargas d’água aquela mala tão bem fechada com trinco, tão leve das pouquíssimas roupas, tão bem segura pela alça de metal, simplesmente escancarou e desabou o conteúdo todo em plena calçada.
Em segundos que pareceram eternos e que eu jamais esquecerei, meus braços e mãos viraram geléia diante da tarefa de recolher meias bem enroladas, que sem grande esforço foram o mais longe  possível de mim. Sem falar daquelas roupas que jamais se mostra a ninguém, como um soutien, que estava tão escondidinho, um pacote de absorvente que aguardava para ser inaugurado, calcinhas... que horror!
Não. Ninguém me ajudou. Eu era só uma daquelas juvenistas de saia comprida, que havia deixado cair a roupa da mala. Uma adolescente como outra qualquer. Com uma diferença. Tinha uma mala de madeira, que agora carregava uma bagunça em seu interior. Pendurada na sua alça uma pessoa que quase flutuava de tanta vergonha, mas que ainda precisava correr para alcançar o único ônibus do dia.
No mundo da adolescência basta virar a esquina e o que passou, passou. Assim passaram-se anos, as malas agora eram maiores, de couro ou imitação e seguiam para os caminhos do Rio Grande do Sul, depois para o Paraná e, finalmente, para Floripa.
Passaram-se mais de 40 anos dessa vergonha indescritível, antes que eu contasse a história numa  reunião de família, depois de reencontrar a mala. Sim. Ela ainda existe. Agora como objeto de decoração, cheia de cacarecos. Longe de mim, mas fresquinha na minha memória.