TRANSLATOR( BLOG OR POST)

10 de fev de 2010

Chega de mistério

Os gordos* que me perdoem, mas estragaram minha branca ficha de motorista.

Imagine a cena. A motorista deixa seus bichinhos para banho e coleta de sangue no pet shop e manobra para alcançar a pista do outro lado da rodovia. Olha para os dois lados e avança devagar, como se recomenda em lugares onde o povo circula de bicicleta nos dois sentidos, ignorando a lei e sem perceber que já não moram numa vila de pescadores, quando passavam três carros por hora.

No lado esquerdo da motorista vem, sobre a calçada, várias pessoas que também acordaram cedo e mais próxima do carro, uma jovem senhora, a passos lentos, muuuuuito lentos, que gordo não corre para o ponto de ônibus, certo?

A motorista já está com metade do carro na pista, quando por detrás da jovem gordinha surge o quê? Uma visão que eu espero, sinceramente, que vocês nunca tenham: uma motocicleta com dois botijões de gás e um piloto, que prefere buzinar e tentar desviar do carro a frear.

Já me contaram que há situações em que os pensamentos são tão rápidos que fica difícil relatá-los, de tantos ao mesmo tempo.  Em dois segundos eu acelerei para tentar evitar o choque, ouvi o barulho, parei o carro, desliguei, liguei o pisca-alerta, saí, parei o trânsito e corri para o rapaz caído.

Não me perguntem. Eu não sei o que pensei até chegar perto dele, mas os fatos posteriores são lentos, difíceis, chorosos, nervosos, aliviados e policialescos.

Ferimentos leves, atendimento na clínica, radiografias e montes de perguntas oficiais.

Antes disso, quase uma hora até preencher o formulário, esperar que o rascunho da ocorrência ficasse pronto, desenhado e assinado pelos dois.  A seguradora? Só faltou perguntar de que lado da cama eu durmo, antes de entender que eu atendia policiais, acidentado, patrão do acidentado, pai do acidentado e a mim mesma, sem pernas para ficar em pé.

No meio do prazo para a papelada, um final de semana. Tempo suficiente para eu esconjurar aquela "senhora gordinha" que com sua, digamos, largura, conseguiu esconder atrás de si uma motocicleta.

Depois, aquela maratona: posto policial, guia para pagamento de tarifa e volta ao posto policial para buscar os documentos.  E ainda tive que ouvir conversa de show  e outras baboseiras.

Nada mais tendo a relatar, o jeito é consertar a lataria( a franquia garante o lucro das seguradoras), substituir a calota destruída e esperar que a seguradora se encarregue do resto, enquanto o tempo se gaste em diminuir o susto.

*Preconceito uma ova! Aponte seu dedo para aquela tia gorda, que fazia cócegas numa menina de 4 anos até que ela perdesse o fôlego.

3 de fev de 2010

De papo com a polícia

O oficial da Polícia Rodoviária Estadual, enquanto providencia o famigerado Boletim de Ocorrência*, atende a filha ao telefone e diz que ela está perturbando por conta do show da premiadíssima Beyoncé.

Segundo ele, ela encantará turistas e manezinhos em Florianópolis, mas ficará hospedada num resort no município de Governador Celso Ramos, que tem paisagens e praias belíssimas.

A exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro, quando a Bardot por lá deixou suas pegadas, aquele lugar nunca mais será o mesmo, digo eu.

O cabo entra na conversa e informa que o ingresso mais pobrezinho custará R$250,00.

Para essa turma,  isso nem é dinheiro. A maioria que vai ao show não gasta isso em livros em dois anos. E tem gente que vai tomar sopa de pedra por muito tempo para ir ao show. A mesma turma que reclama do preço do passe de ônibus, da mensalidade da escola...

Mais vale um gosto que um vintém? Ou cultura de cabeça para baixo?

* Como fui parar no posto da Polícia Rodoviária eu conto noutro dia.
O vídeo foi enviado por W. Henrique, que por enquanto não cobra royalties.

1 de fev de 2010

No tempo em que os animais não falavam

Bichos de estimação são excelentes terapeutas. Eles ouvem nossas reclamações, dão apoio na hora da solidão e o que é melhor: não dão palpite, não julgam, nem cobram pela solidariedade.

Todavia, de vez em quando eu surpreendo um olhar, um jeito de virar a cabeça, um miado ou um latido diferente e levo um susto.

Orfeu(na foto) é campeão em responder com miados a tudo que falo.  E se eu disser "nham-nham" ele corre para a tigela.

Depois de olhar por alguns segundos nos olhos dele, bem, você também não fica desconfiado de que eles disfarçam, mas entendem tudinho?