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31 de jul de 2009

Tua cabeça, teu mistério

Hoje em dia já se sabe que essa definição rígida de sexos(o trocadilho foi acidental) está fora de moda. Existe um leque de distintas preferências, características, definições, indefinições. Crianças que nascem com dois sexos físicos e um ou três sexos emocionais e cerebrais. Alguns só se descobrem quando já experimentaram de tudo ou nunca se satisfizeram com nada. Outros sofrem dentro de casulos, atrás de máscaras de sobrevivência.

Ninguém aqui vai dar aula sobre isso. Há muita literatura inteligente sobre o assunto. Basta procurar.


Para tirar a prova de que nem tudo é tão simples assim, aceite o desafio.

Entre aqui.

Cláudio mandou lá de Portugal, onde faz verão. Compartilho, em minha primeira tentativa de voltar a achar graça em coisas que nem parecem sérias.

21 de jul de 2009

Aprendendo a Dizer Adeus

Dengo, timidez e delicadeza em dose maciça. Suave como uma bailarina.

Tudo precisou ser ensinado, mesmo sendo adulta. Não sabia brincar. Pulava sobre os brinquedos como uma cabrinha, ou fugia deles, com medo.Tinha medo de tudo. De barulho, de vassoura, de voz alta. Adorava carinho, mas não teve tempo de aprender a gostar de colo. Todavia, jamais fez um gesto brusco para ser posta no chão.

Aprendi a reconhecer em cada miado um desejo, um protesto, uma manha. Com ela exercitei a delicadeza, a calma e também a impaciência com a mania de arrancar a pontinha de minhas folhagens.

Passos mansos carregavam um olhar azul de céu de verão. Disfarçava a magreza por baixo de uma fofura de pelos brancos.

Tão logo as noites ganhavam um pouco de calor insistia em dormir no terraço. Era preciso não esquecer de deixar uma fresta na porta, ou miava até me tirar da cama. Fez companhia à lua e estrelas em muitas e muitas noites.

Eu sempre desconfiei que tivesse sido vítima de agressões, porque fazia umas coisas esquisitas. Não bastasse o medo de vassoura, de vez em quando disparava pelo apartamento e se encontrasse a porta do terraço aberta, escalava a tela de proteção e subia até o telhado do prédio. Foi preciso inventar um jeito de parar com isso, porque como todo bom bichano era valente para subir, mas medrosa para descer.

Morou comigo desde dezembro de 2004. Perdeu Pipoca, seu companheiro de cobertor, em agosto do ano passado. Aninhou-se neste inverno com o casal de irmãos, que chegou aqui em 2003.

Então, com pequenos sinais, desde outubro de 2008, foi me preparando para a partida. Avisando que estava na hora de encerrar sua missão. Desdenhava comida. Dormia mais, muito mais do que dormem todos os gatos, ficou ainda mais pidona de carinho.

Há pouco mais de um mês parou de comer de vez. Em poucas semanas, apesar de receber soro, comida e água com seringa, foi definhando. O dia inteiro debaixo do cobertor, como uma velha senhora friorenta. A cada dia mais magrinha.

Tudo o que estava disponível na medicina veterinária foi usado. Todo o carinho. Toda a dedicação. Sem qualquer sinal de melhora. Seu corpinho cansou e desistiu. Já não comia nem bebia. Não conseguia manter-se em pé. Reclamava muito, mas miava cada vez menos. Mostrava sinais de dor, desconforto, cansaço.

Hoje fui vê-la bem cedo e decidi que era hora de ser generosa e retribuir o carinho com o descanso merecido. O fim da dor.

Um dia um amigo disse, a propósito de Sacha, que se foi em 2003, que se existe céu é só aquele dos bichinhos. É lá que minha “ballerina” está agora. Foi-se em paz eu acho.
Adeus e obrigada por me escolher para cuidar de ti, nessa tua tão curta vida, doce Bambina!

10 de jul de 2009

Longe desta janela

Aos que aumentam o valor deste bloguinho com suas visitas e aos que me servem chá e doçuras nos seus blogues, preciso justificar minha ausência.

A gatinha da foto(de quando tudo ia bem), Bambina, está atravessando dias muito complicados e requer cuidados constantes. Comidinha, água e leite na boca, com seringa. Que nunca fique sem cobertor. Limpar o que seu estômago devolve. De vez em quando hidratação endovenosa, visitas frequentes ao veterinário.

Portadora de hipoplasia renal, descoberta recentemente(seus rins tem apenas um terço do tamanho normal), vai definhando e me deixando ver seus ossinhos. O miado continua reclamão e forte, mas está cada dia mais difícl conseguir que ganhe algumas gramas de peso.

O cachorrinho vem lutando contra algo ainda não bem definido. Muitos exames, remédios, muita correria em qualquer horário, febre, diarreia, sangramento, infecção e vamos que vamos.

Sem falar que não posso esquecer de dar remédio duas vezes por dia para o gatão Orfeu(na foto num momento de sono em conjunto).

Comida a todos de duas em duas horas. Cada um com uma ração diferente. Nenhum pode comer a ração do outro.

Mais uma semana e acredito que chegaremos a um mar menos agitado.

Deixo um beijo sonolento e cansado, mas cheio de saudade de todos.

Até!

6 de jul de 2009

Brincando de criar lendas




Como Nasceram as Ondas

Houve um tempo em que os mares eram como os lagos presos entre montanhas. Quietos como o musgo.

Aconteceu nesse tempo um amor, que de tão intenso não mais cabia em si. Os dois se aninhavam entre peles de ursos quando lá fora havia neve e sentavam na areia até que o sol se escondesse por trás dos morros, quando fazia calor.

Um amor tão intenso e verdadeiro com só podem ser os amores que vivem isolados de qualquer tentação. Quase se adivinhavam. Completavam as frases um do outro.

Tudo o que ele pedia é que ela nunca, jamais se aventurasse a ir além de onde a água salgada cobrisse seus joelhos. Temia que se afastasse. Ela adocicava o olhar e garantia que nem conseguiria se afastar dele tanto assim.

Um banho de mar. Um passo a mais dentro d’água. O vazio sob os pés. Corpo frágil se debatendo. Gritos na areia. Ela estendia os braços fora do alcance de seu amor. Ele tentava em vão alcançá-la. Por fim ela desapareceu.

Então ele rasgou suas vestes e pediu aos deuses que a trouxessem até a areia. Um vento como nunca se vira levantou as águas, formando um arco. E a água se derramou e estendeu pela areia. Vazia.

Até hoje as águas formam ondas por toda a Terra.
Naquela praia ouvem-se os uivos do vento entre as pedras. Todos juram que são os gritos de dor do jovem, que ainda espera que a próxima onda devolva seu amor.
A foto é de meu quintal, feita por mim.