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29 de set de 2008

Espécie em expansão(as que nos dão má-fama)

Uma rua deserta. Domingo. Duas horas. Euzinha olhando o mar da janela. O carro passa beeeem devagar. Os passageiros localizam o restaurante. (É a única construção com cara de restaurante na rua, ô coisa difícil!) A motorista decide que quer estacionar em frente ao restaurante. Preguiça domingueira. Segue mais uns 50 metros até escolher onde fazer a volta. Decide fazer a manobra para retornar justo em cima da pocinha d'água. Passa dentro dela com o pneu traseiro esquerdo. Pluct! Pára. Engata a ré.

E aí, senhoras e senhores está a espécie em expansão. Ela consegue colocar o pneu dianteiro esquerdo na pocinha d'água. Que não é pocinha d' água coisa nenhuma. Foi o buracão que o vazamento recém-estancado escavou bem no meio, no meinho da rua. Visível. Escancarado. Quando ela passou deslocou a pedra. No fundo do buraco pura areia.

Descer pra ver o tamanho do buraco e da encrenca, nem pensar! Ela acelera e afunda mais um pouquinho. Água e areia pra todo lado. Com isso o pneu direito traseiro fica no ar. A carona da frente desce. Espia. Sugere alguma coisa e dá um salto digno de picadeiro. A anta acelerou outra vez fazendo chafariz ainda mais alto. E afunda mais um pouquinho. Agora temos duas antas!
Para reduzir o peso a outra carona desce do banco traseiro. O pára-choques dianteiro está grudado no paralelepípedo. A motorista (a de blusa clara)desembarca. Faz a volta no carro. E cruza os braços.

O povo sai do restaurante e vai até lá. Análise profunda(hehehe!) da situação. Sentar ao volante está fora de cogitação. Amassaria o pára-choques. Não tem como erguer a dianteira. Não há músculos pra tanto. Macaco não passa embaixo do carro. Nem mão de criança.

Eu, morrendo de rir, tenho tempo de fotografar a descoberta: antas localizadas no paraíso(sem ofendê-la, senhora dona anta!).

O que você faria, hein? Pra tirar o carro, não com a anta.
Aproveite a viagem para ver isto. É bem velhinho e já passou umas duzentas vezes na minha caixa, mas é de doer de lindo!

25 de set de 2008

Quem é esta criança?


CRIANÇA ENCONTRADA - QUEM SÃO OS PAIS?


DIVULGUEM ESSA FOTO. TEMOS BOAS CHANCES DE FAZER ALGUÉM FELIZ.

Vejam o texto abaixo.


"Olá!

Eu sou Soraya Pereira, Presidente do Projeto Aconchego, Grupo de apoio à Adoção e ao Apadrinhamento de Brasília. Após constatar a veracidade do fato com a diretoria do Abrigo 'Nosso Lar', venho pedir a vocês que divulguem essa notícia.

Meu obrigada,

Soraya Kátia Rodrigues "


"Em nov, foi encontrada na rua, uma criança de aproximadamente 2 anos, muito bem cuidada e muito bem vestida, e disse se chamar Tiago. Levado ao juizado, foi encaminhado ao 'Nosso Lar', onde trabalho.Temos informações de que diligências foram feitas na região onde a criança foi encontrada, e nada. Todas as delegacias notificadas, e nada. Não foi possível nenhum tipo de informação dessa criança.

Como o tempo está passando, ele logo será encaminhado para adoção, mas não acredito que ele não tenha ninguém nesse mundo, pois quando ele chegou chorava muito e apresentava bons costumes.

Já tentei com um amigo na Globo veicular a sua imagem, na tentativa de localizarmos a sua família, mas não é possível pois a política da Globo não permite a divulgação de crianças desaparecidas, o que não é o caso, pois essa é 'aparecida'.

SEGUE A FOTO DA CRIANÇA. REPASSEM, POR FAVOR. ELE FOI ENCONTRADO EM BRASÍLIA, MAS PODE SER DE QUALQUER LUGAR DO PAÍS."


Nota: Localizei o site desse projeto Aconchego: http://www.projetoaconchego.org.br/. Qualquer notícia sobre familiares do menino, favor fazer contato através do site.

Oooops!

Todos foram dar uma espiadinha no Ike...
Acho que essa vai ficar com medo até de goteira.

Ou fugiram dele.

Ok, ok, é preguiça . Não falta assunto e há muitos papéis e arquivos acumulados. Ontem tentei saudar a primavera, mas a máquina falhou. Hoje entrou água, se é que me entendem.

As imagens fazem parte de uma apresentação de slides, enviada por Pacheco, um amigo que adora cães e pessoas.Deixei fora daqui aquelas que mostram casas, carros, ruas, prédios e barcos destruídos, pessoas arrasadas e bichos mortos. São impressionantes, mas muito tristes.

20 de set de 2008

Recomendação com estrelinha




Helô, coruja e modesta, contesta quando digo que o fruto nunca cai longe da árvore, e garante que a filhota está a mostrar uma copa mais frondosa que a dela.
Para tirar a dúvida vejam cada uma no seu galho.
Em mais de mil fotografias, não achei uma árvore! Preciso sair por aí e arriscar um click. Por enquanto pego emprestada uma desse site fantástico:http://www.arvoresbrasil.com.br/. Vá até lá e descubra, entre outras coisas maravilhosas, como a foto, quando se comemora o dia da banana.

Inconformada com meus cliques, busquei na memória e... eu sabia! Olha a figueira da praia aí, gente! Fotografada no Ribeirão da Ilha.

17 de set de 2008

Mentes Brilhantes

Veja aqui como essa menina pinta o sete, o oito e muito mais!

Hora do pirão

Hoje foi dia de levar o elétrico e nada silencioso Sunshine para o banho. Na volta filho veio de carona. Nora vai colar grau e ele veio trazer o convite. Outras coisas a conversar. Semana de folga por conta de assiduidade.

O almoço com uma hora de atraso por causa do trânsito, posto à mesa em câmara rápida. Estômago meu lá no fundo, por conta de um shake engolido às sete horas da madrugada e nada mais além de uns goles de gelatina.

Um feijãozinho caprichado e preparado em porções gigantes em dias anteriores, mas só comido às colheradas diárias por mim. A contra-gosto, evidentemente. Que a vontade é encher o prato.

Ele prepara um pirão. Daqueles de fazer inveja a surfista. Generoso seria um deboche eufemístico. Eu espio com o canto do olho, satisfeita. Lá vai mais uma colherada de caldo como cobertura. Por cima um pedaço de carne de porco fervida com os grãos vermelhinhos e brancos. (Vermelhinhos daquele feijão de alta digestibilidade e brancos porque são mais leves que o preto. Nada a ver com colorados, não senhor, que eu sou azul.)

Depois vem o que ele chama de comida. Mais feijão, arroz e uns bifinhos preparados na hora, na chapa de ferro. Saladas sem pudor, que ele nunca renegou em toda a sua vida. Desde que não tenham cara de cenoura cozida ou de abóbora, todos os legumes e vegetais fazem sucesso desde sempre.

Num rápido intervalo entre uma colherada e outra, um assunto e outro, eu viajo para uns 45 anos atrás e me vejo à mesa, num dia de inverno, mochila da aula recém abandonada no quarto, fome sem tamanho e o mesmo cheiro que eu estava sentindo. Mesa cercada por cinco pirralhos, mãe e pai mal dando conta de servir e mandar calar a boca, que almoço não era hora de brigar.

Claro que ele não entende porque eu deixei escapar um gemido que parecia ser de cansaço. Não era. Era de puro prazer. Pela visita. Pela intimidade. Pelas lembranças. Pelo doce prazer de dividir a mesa com ele e repetir o que eu espero seja perpetuado.

Ser mãe não tem nada a ver com sofrer num paraíso. Tem a ver com momentos assim. Só quem come feijão junto é que sabe.

16 de set de 2008

Um Silêncio de Ouro, Prata e Bronze

Há dias venho ensaiando o que escrever sobre esse assunto e engasgo sempre na perplexidade, na falta de palavras coerentes e exatas para passar adiante a emoção que vivo há duas semanas. Farei o que posso.

Pela primeira vez na televisão brasileira um canal (Sportv2)transmite competições de atletas com deficiências físicas. Elas vem acontecendo há bem menos tempo que as olimpíadas, é verdade, mas foi necessário que por alguns anos esses personagens ultrapassassem em medalhas os ditos normais ou convencionais, para que a mídia abrisse os olhos.

Enquanto todas as atenções se voltavam sempre para aqueles fortões e bonitões, durante o dia todo, bastava que as paraolimpíadas começassem e sumia todo mundo. Quem tivesse interesse por gostar ou por ter algum amigo ou familiar participando, ficava restrito àquelas curtíssimas notícias vindas sempre de longe, atrasadas. Quando vinham.

Até que esses rapazes e moças passaram à frente dos olímpicos, em número de medalhas e de participações, jamais envergonhando, jamais decepcionando.

Tenho assistido a tudo o que passa durante o dia e até a hora de ir dormir. Afinal a China fica do outro lado da bolinha.

A abertura foi de emoção pura. Um espetáculo de sensibilidade, de encanto, de arte, de superação. Aquela menininha dançando balé na cadeira de rodas é uma imagem permanente. Os braços em luvas dançando com movimentos idênticos ao dos pés... o que dizer? E tanto mais.

Os atletas desfilaram com tal orgulho, com tanta alegria, que por pouco eu não levanto da poltrona e aplaudo. Mas o choro foi impossível de conter.

A abertura das olimpíadas foi indescritível e todo mundo viu. A das paraolimpíadas nem todos. Destinada a quem foi, mereceu criatividade e demonstração de amor do mais puro. Não ficou abaixo da primeira em nada. Em absolutamente nada!
Tem um aspecto que me deixa triste. Aqueles atletas todos que passam de longe mil dificuldades a mais que os atletas comuns, pela gravidade de suas deficiências, pelo preconceito, pelas dores, pela falta de apoio, todos eles deveriam sair de lá com um prêmio. Não digo uma medalha, isso seria desmerecê-los, teria um caráter de prêmio de consolação. Seria humilhante. Eles não precisam de nenhum prêmio de consolação.
Mas como não torcer por todos aqueles jovens, alguns correndo em cadeiras de rodas, outros nadando sem os dois braços(eu juro que vi um garoto na piscina sem os dois braços e sem as duas pernas!), lançando pesos sentados em bancos, lutando judô sem visão e todos os casos de paralisia cerebral, e tantos e tantos.
Todos com um sorriso. Todos! Todos merecendo ganhar. Eu torcia pelo Brasil sempre que estava representado, mas no fundo, mesmo sabendo que essas competições acontecem exatamente para colocá-los em igualdade e tirá-los da obscuridade, eu ficava triste quando as competições terminavam e eles desapareciam do vídeo. Tantos anos de preparação!
Que exemplo e que vergonha para esses atletas de última geração, que pedem desculpas quando erram, que exigem, que reclamam, que exaltam suas dificuldades. Todos mereceram suas conquistas e me emocionaram, vibrei com eles, mas os deficientes deram um exemplo de superação inigualável.
Se você não teve oportunidade de assistir pelo menos a uma competição das paraolimpíadas, ainda há tempo. Terminam amanhã.E nas próximas, em Londres, fique de olho, procure ver e ouvir as declarações dos atletas. São lições inesquecíveis.

Para saber mais sobre as paraolimpíadas e os prêmios fantásticos que eles estão conquistando, dê um passo neste site .

Foto: Daniel Dias, medalhista de ouro em várias competições,
deste jornal

15 de set de 2008

A Lista

Prepare-se. A lista é longa.

Para descobrir quem são os candidatos de cada município entre aqui nesta página , ou clique aqui.

Eita empreguinho bom, hein?

Será que eu viverei até que se crie uma lei que obrigue todos a fazerem um teste de escolaridade, psicológico e de civilidade(cidadania?), antes de aprovar a candidatura? Um teste de bafômetro também cairia bem, não? Se pra dirigir precisa...

Porque é segunda-feira!

Os nove melhores slogans de uma campanha eleitoral, na República das Bananas, cercada pela Bolívia, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Argentina... Quer piada pior do que esta?

Então siga lendo.


9º lugar - Guilherme Bouças, com o slogan:
Chega de malas, vote em Bouças.

8º lugar - Grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia (SP):
Lingüiça Neles!

7º lugar - Em Descalvado (AL), tem um candidata chamada Dinha, cujo slogan é: Tudo Pela Dinha.

6º lugar - Em Carmo do Rio Claro, tem um candidato chamado Gê:
Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.

5º lugar - Em Hidrolândia (GO), tem um candidato chamado Pé:
Não vote sentado, vote em Pé.

4º lugar - E em Piraí do Sul tem um gay chamado Lady Zu:
Aquele que dá o que promete.

3º lugar - A cearense chamada Debora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito. Slogan: Vote com prazer!

2º lugar - Candidato a prefeito de Aracati (CE):
Com a minha fé e as fezes de vocês, vou ganhar a eleição.

1º lugar - Em Mogi das Cruzes (SP), tem um candidato chamado Defunto:
Vote em Defunto, porque político bom é político morto!


Colecionador desconhecido(Devagar, Bruno, que tem político que lê este bloguinho!).

12 de set de 2008

Uma rapidinha que vale por alguns anos

Eu sei que tem orangotango dando um banho em universitários americanos nesse jogo, mas você é do tipo que não resiste a um teste(just like me!)?



Você vai levar um susto, porque o site está todo rabiscado em japonês, mas é bem fácil de jogar.



Dicas importantes:




Clique no "start" e aguarde a contagem 3,2,1.



Memorize rapidamente a localização dos números que aparecem na telinha, em ordem crescente.



Clique nos círculos onde estavam os números, em ordem crescente.



No final aparece o número que corresponde a sua idade mental.



Sim, pode jogar mais de uma vez e não fique surpreso se a idade variar. Sabe como é: a prática faz o gênio!



Na primeira deu 52; na segunda 37. Parei antes de virar adolescente. Credo!




Se o link não funcionar, entre por aqui: http://flashfabrica.com/f_learning/brain/brain.html



Boa dica, Waldemar!

Sexta-feira é dia!

Estimulada(envergonhada um bocadinho) por esse jovem jornalista, que meteu a mão e arrumou seu quarto, olho a pilha de papéis e outras tralhas, que decoram minha mesa, apoiados precariamente numa parede e resolvo baixar sua altitude injustificável.

A agenda telefônica volta para a sala. O volumoso livro Tábula Rasa- preciso de estímulo para encarar esse assunto!- ainda quase virgem, sobe um andar e acrescenta um pouco de desordem aos livros já lidos. A coleção de retalhos guardados durante uma vida precisa de uma seleção apurada. Ácaros quase dinossáuricos vão levar um susto!

Não sei de quantos escritos darei conta hoje e o que aparecerá nesse ninho, mas é preciso encarar. Não tem outro jeito! Que melhor programa para uma sexta-feira chuvosa?

No dia 06/08/2006 anotei:

" A amizade tem que ser como roupa folgada. Confortável. Gostosa de ter. Daquela que a gente nunca quer se desfazer, mesmo esburacada, de bainha desmanchada, sem botão ou desbotada"

E embaixo disso o nome e novo telefone( novo há um ano atrás) de uma amiga muito querida, com quem mantenho uma ligação que não precisa de encontros freqüentes. Quando nos falamos, ultimamente mais por telefone e pela rede, é como se nosso último encontro tivesse sido ontem. Uma intimidade que se atualiza em longos papos, que dão continuidade àqueles que curtíamos sobre cadeiras e toalhas de praia, alguma cerveja, alguma festa noturna, algumas tristezas, alguma fumaça, o peixe fresquinho preparado pela mãe dela e quase minha; a família inteira emprestada e cada vez maior.

As conversas que antes miravam os amores, hoje se voltam para os filhos, as novidades, os receios, notícias sobre ex-colegas e pessoas que fazem fundo para essa amizade.

Como é que esta Ilha pode ser assim tão grande, que nós duas não nos encontramos há mais de quatro anos?

Bentinha, melhor encomendar logo um bule de café, viu?

5 de set de 2008

Perseguindo um sunset

(Nuvens fotografadas da janela do quarto, de onde se pega vento do sul e sudeste.)

Onde eu moro não tem sol se pondo. Quer dizer, tem, mas ele se esconde atrás de um morro, nas costas de meu apartamento, mais ou menos às 16:00 horas no inverno e algumas horas mais tarde quando faz calor. Eu moro com vista para norte, nordeste, leste, sudeste e sul, sem vista para oeste.

A sombra no terraço avança a partir das 14:00 horas, então eu preciso sempre me apressar para acompanhá-lo, se quero esquentar o esqueleto, ou secar alguma roupa, cuidar das plantas, ou, quando o vento dá uma folguinha, quem sabe sentar nas tábuas do deque com meus bichos e brincar de ter todo o tempo do mundo disponível.

Eu amo o sol e as paisagens que ele cria.
Sinto saudades daqueles céus pintados de todos os tons de amarelo, vermelho, lilás...

(Meu horizonte a sudeste, fotografado do terraço.)

Quando começa a surgir a sombra, vejo no horizonte que uma camada se tinge de cor-de-rosa. Um tom muito suave, que me enche de sentimentos bons. Hora de achar que a vida é linda, que o dia foi bom. Hora de respirar fundo...

No alto do verão até consigo fazer algumas fotos de nuvens que refletem a descida do sol lá pelos costados do Ribeirão da Ilha, que fica atrás do morro (como a primeira que aparece no post e que se negou a ser colocada aqui).

Num desses papos de blogs Helô propõe uma troca: ela me mostra o pôr-do-sol no Guaíba e eu um daqui da Ilha, que ela confessa amar de paixão. Ai! Ai! Estou a quilômetros de uma foto dessas! Que fui arranjar!

De repente lembro de um passeio pelo Ribeirão da Ilha, lugar belíssimo, que fotografei num final de tarde.

(Ribeirão da Ilha, que fica no oeste, do outro lado do morro, atrás de onde eu moro, tendo ao fundo o Morro das Pedras Brancas, que fica no continente.)


Ali se cultivam as melhores ostras do Brasil. Se já não bastasse essa paisagem...

Para ver as fotos em tamanho maior clique sobre elas. A última foto, vista em tamanho grande, mostra as áreas de cultivo de ostras.

4 de set de 2008

Do fundo do baú

Apague a luz e acenda essas idéias.

(Sim, sim, ainda há resíduos de preguiça por aqui.

1 de set de 2008

Uma dor de barriga

Eu soube que o apagão de meu cérebro não havia me afetado, pelo menos não até aquele momento, e não mais do que a minha quilometragem natural,quando em meio àquela escuridão e confusão ouvi:

-Segura pelos pés, que eu seguro pelos ombros e vamos colocar na maca!

Bips de monitores, mãos me segurando pelo pescoço para não me sufocar enquanto estava na cadeira de rodas(eu estava sendo empurrada por um labirinto, a caminho do toilete, quando apaguei).

Aí, glória das glórias,veio a prova da consciência plena. Alguém solta um apressado:

-Segura ela pela bunda!

Daquele jeito miserável em que eu estava: drogada de morfina contra a dor implacável, suja de meu vômito involuntário, sem poder me mexer, sem poder falar, abri os olhos e vi meia dúzia de uniformes azuis.

Só depois dessa pérola, alguém chamou meu nome, chamou, chamou e chamou, até que eu fizesse o que foi considerado uma cara suficientemente consciente.

Não respondi, mas estava sintonizada num programa de humor em minha mente. Eu sabia que ainda estava ali porque pensei: Eu ainda vou rir disso!

Essa risada demorou quatro dias. Quatro longos dias.

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Era domingo de madrugada quando tudo começou e a dor me venceu. Outra vez?
Enfiada às pressas no carro da vizinha, chefe da vigilância do bairro ao volante, disparamos rodovia afora, com pisca ligado, farol alto e eu a dizer: “Buzine, moço. Passe!”.

Chegamos, enfim. Entre um grito e um gemido, depois de perguntas e perguntas sem fim, apalpa daqui e aperta dali, a doce sensação de amortecimento. Enfim podia fechar os olhos e respirar. Bendito Dimorf!

Dois médicos depois e muito soro e injeção, a espera por vaga para exames, ainda na cama dura da emergência. Lá eles colocaram uma plaquinha dizendo "Repouso". Um eufemismo repousante, sem dúvida.

Cadê a carteirinha? Nem vou contar as duzentas vezes que respondi que ela estava vindo. Carteirinha nova esperando a data de validade, guardada aqui, numa gaveta a cinco centímetros de onde estou agora, mas a 50 quilômetros da clínica.

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Sabe aquela sensação de abandono, de não sei o que eu estou fazendo aqui, eu quero ir embora, este não é meu lugar e ai que dor? Pois é! Nem queira saber!

Hora em que é preciso tomar consciência da contingência humana, da pequenez, da dependência, da necessidade de aceitar, de sujeitar-se a, de ter infinita paciência com quem te atende; hora de fechar os olhos e ficar contente por saber-se atendida; hora de ter certeza de aquela dor, aquele monstro, apesar de tudo, era menor do que a que determinou uma cirurgia em 2003. I hope!
Continua daqui a pouco.