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30 de mai de 2007

Da série "Aviso aos Paroquianos"

Aviso 1: amanhã a bodega estará fechada até o final do dia. A bodegueira vai pintar os anos de vida que estão sobre sua cabeça.

Aviso 2: Fiquem à vontade, mas lavem os copos, juntem os cacos e varram o chão antes de sair.

28 de mai de 2007

Sucesso nunca é obra do acaso

Os oito mandamentos da Toyota

Há décadas, estes são os princípios que regem o dia-a-dia da maior montadora do mundo

1. Qualidade, qualidade, qualidade. O mantra é repetido à exaustão por todos os funcionários da empresa.A busca pela perfeição é o motor do aprimoramento contínuo da Toyota.

2. Obsessão por corte de custos. Não é apenas nas fábricas que a montadora busca reduzir suas despesas continuamente. Na matriz, por exemplo, é proibido tirar impressões coloridas e todo o papel utilizado é reciclável.

3. Investimento em treinamento. Antes de começar a trabalhar, todos os funcionários recémcontratados passam por um treinamento de cinco meses, independentemente do cargo que vão ocupar.

4. Emprego vitalício. Embora fora de moda na maioria das empresas, empregar um funcionário por décadas ainda é uma das principais características da Toyota, sobretudo no Japão.

5. Busca pela simplicidade. Na montadora japonesa, o negócio é ser simples. Nas reuniões de executivos, por exemplo, as apresentações devem caber numa folha de papel no formato A3.

6. Visão de longo prazo. O planejamento é chave na companhia. Hoje, o departamento de pesquisa e desenvolvimento da empresa já está avaliando como devem ser os carros da montadora em 2030.

7. Decisão por consenso. A maioria das decisões ainda é tomada em conjunto pelos 30 principais executivos. Embora mais longo, o processo minimiza riscos e evita rachas internos.

8. Proximidade com o consumidor. Em vez de criar carros que sejam ícones da indústria automotiva, a Toyota investe em pesquisas para criar automóveis que os clientes queiram (ou precisem) comprar.

Leia o artigo na íntegra, aqui

24 de mai de 2007

Sei lá!



"Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a seguinte cena:Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali. Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:


- Será que vai chover hoje?


Se você responder "com certeza"... a sua área é Vendas: O pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.


Se a resposta for "sei lá, estou pensando em outra coisa"... então a sua área é Marketing: O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.


Se você responder "sim, há uma boa probabilidade"... você é da área deEngenharia: O pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.


Se a resposta for "depende"... você nasceu para Recursos Humanos: Uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.


Se você responder "ah, a meteorologia diz que não"... você é da área de Contabilidade: O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos próprios olhos.


Se a resposta for "sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas": Então seu lugar é na área Financeira, que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.


Agora, se você responder "não sei"... há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria da empresa.


De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder "não sei" quando não sabe. Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.


"Não sei" é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.


Parece simples, mas responder "não sei" é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa. Por quê?
Eu sinceramente "não sei"."

(Antonio Ermírio de Moraes - Revista Exame)


Faz sentido para você?

Texto recebibo por e-mail(valeu, Bruno!).Não garanto a autoria, nem a fonte.
A foto é minha. Amanhecer no Pântano do Sul(2006)

20 de mai de 2007

Por trás do espelho


"É desconcertante rever um grande amor..."



Eu não quero que tua memória de mim se altere.


Não quero que me vejas tão diferente da mulher cheia de entusiasmo, de sonhos, crédula e apaixonada pela vida e por tudo, que eu carregava dentro e fora de mim.


Eu não quero que conheças o que o mundo fez de mim e o que eu fiz de mim, depois que deixei de ser a mulher que povoou teus sonhos e dias por algum tempo.


Eu não quero que conheças o que mudou em mim. A poucos eu entreguei o conhecimento de minha essência. Quero que a guardes como era.


Eu não quero ler nos teus olhos a surpresa de ver a mulher de meia idade, que tomou o lugar da jovem a quem fizeste se encantar pela aventura. Não foi a mulher madura que amaste. E eu não quero que a percas.


Eu não quero adivinhar no teu abraço minha dor por ter deixado fugir o amor tantas vezes, por tê-lo entregue tantas vezes em endereços errados.


Eu não quero falar das dores que tivemos, cada qual no seu caminho.


Eu quero que meus espelhos continuem a refletir quem éramos.


Eu não quero lembrar do que não gostavas em mim, nem do que faltou para te amar para sempre.


Eu não quero passar a limpo nenhuma poesia.


Eu não quero que sejamos dois peregrinos de meia idade juntando lembranças balbuciadas, encabuladas, quem sabe contagiadas por outras, sem ter nem mesmo a certeza de que fomos nós dois que fizemos aqueles dias tão lindos de que te lembras.


Eu não quero perder a ansiedade que vinha com teus abraços.


Eu não quero ter que fugir de nenhuma lembrança.


Eu não quero que me adivinhes igual nem diferente.Eu já não sou povoada de sonhos e o que carrego em mim são dias e perfumes muito bem guardados. São promessas de amor não conjugado. São retalhos de risos. São esperas sem fim. São poesias feitas na pele.


O que eu poderia mostrar de mim em meus olhos me faria sofrer. O que eu poderia deixar que lesses em meus olhos poderia somar mais um sofrer aos teus. Poderia apagar um pedaço de minha vida e da tua.


Porque se nossas lembranças mudarem, não seremos mais nós. Apenas duas pessoas que já não são.


Então esperarás por mim, olharás o relógio e espiarás a rua. Tentarás adivinhar em cada carro minha nova imagem.


Mas eu não irei.


E ao entardecer, levarás nossas lembranças de volta para tua casa. Cristalizadas. Eternas.


Fpolis,18/05/2007


Foto: Detalhe da Praia das Palmeiras, Florianópolis, SC, by Clarice, maio/2007

17 de mai de 2007

Eu gosto, sim!


Por que as pessoas fingem que não gostam de ganhar presentes, hein? Eu adoro! Quando recebo de quem gosto, sempre fazem bem.

(Verdade que às vezes a gente fica se perguntando o quanto somos desconhecidos para quem nos rodeia, porque o que aparece não tem nada a ver, ou você reconhece que os "presentes" foram garimpados de caixas esquecidas e repassados na maior cara-de-pau.)
Entre os muitos presente, os de meu filho são especiais, claro! Não importa o que seja. Eu sei que isto não é privilégio meu. Ainda bem!
Há uma imagem que nenhum Alzheimer vai roubar de minha memória: meu filho, com uns 5 anos, chegando da rua com uma mãozinha escondida atrás das costas. De repente ele diz:Pra você!
E na mãozinha surgem gloriosas, delicadas e com um valor sem igual, três florzinhas cor-de-rosa, de radiche selvagem. Elas ficaram dias e dias num copo com água, que ele olhava com os olhos brilhando.
Como não gostar de ganhar presentes?
No domingo passado, veio almoçar comigo e apareceu com essa caixa de cremes e sabonetes de-li-ci-o-sos, que eu adorei, já estou usando e espalhando perfume pela casa e pelo coração!

15 de mai de 2007

Vovô viu a uva.


Alfabeto passa a ter 26 letras


Está para entrar em vigor a unificação da Língua Portuguesa que prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras.


"A frequência com que eles leem no voo é heroica!".


Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor o "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", ela estará corretíssima.


Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever. As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990.


Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe.


Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição no qual ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários, etc.


O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros.


Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado.No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada.


Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.


O que muda.


As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por exemplo, deixem de escrever "húmido" para escrever "úmido".

Também desaparecem da língua escrita, em Portugal, o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como nas palavras "acção", "acto", "adopção", "baptismo", "óptimo" e "Egipto".


Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas mudanças que, a priori, parecem estranhas.


-As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo".

-Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes, ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem".

-O trema desaparece completamente. Estará correto escrever "linguiça","sequência", "frequência" e "quinquênio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.


O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", do "w" e do "y" e o acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).


Outras duas mudanças: criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos", além da eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".


Antônio Houaiss


A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil contemporâneo, falecido em março de 1999. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma mesma ortografia. No seu livro "Sugestões para uma política da língua", Antônio Houaiss defendia a essência de embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em Portugal.


Fontes para comentar o assunto:

William Roberto Cereja - Mestre em Teoria Literária pela USP, Doutor em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Professor graduado em Português e Lingüística e licenciado em Português pela Universidade de São Paulo (USP), Professor da rede particular de ensino em São Paulo e Autor de obrasdidáticas.

Marcia Paganini Cavéquia - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa; Inglês e Literaturas de Língua Inglesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada em Metodologia da Ação Docente pela UEL, Palestrante e consultora de escolas particulares e secretarias de educação de diversos municípios e Autora de livros didáticos.

Cassia Garcia de Souza - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada em Língua Portuguesa pela UEL, Palestrante e organizadora de cursos para professores da rede de ensino, Assessora pedagógica e Autora de livros didáticos.




Desta vez endireita ou entorta de vez!

De tudo, para mim, aquele acento diferencial de tempos verbais(amámos, amamos) é a cereja do bolo!

Vamos esperar as novas gramáticas, dicionários, livrinhos, cursinhos e que os professores, alunos, escritores, jornalistas, redatores e fazedores de cartazes e faixas, que ainda nem digeriram a última reforma assimilem esta.


Texto recebido por e-mail(Bruno sempre atento!).

11 de mai de 2007

Para encher a boca

Deliciosa, simples, fácil de preparar, rende o suficiente para 6 ou 7 pessoas bem comilonas. Pode ser congelada. Pode ser comida quente ou fria. Aceita vários tipos de recheio.

A massa

2 xícaras de óleo
1 xícara de leite
3 ovos inteiros
14 colheres de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
meia xícara de queijo ralado(qualquer queijo que você goste, menos o fundido)
2 colheres rasas de fermento em pó

A massa fica cremosa, quase líquida.

Recheio

Você pode usar:
carne de galinha(cozinhe e desfie, ou moa no processador, ou corte em pedaços bem pequenos);
carne moída;
seleta de legumes(se for enlatada escorra a água);
camarão;
peixe cozido e desfiado;
bacalhau;
carne de siri(essa eu fiz e ficou uma perdição);
sardinha enlatada;
atum...

Para essa receita de massa é suficiente meio quilo de recheio. Você pode aumentar a quantidade de recheio sem prejuízo da receita. Quanto mais molho, mais suculenta fica a mistura final. A receita é boa para aproveitar aquelas sobrinhas de carnes de todos os tipos.

O recheio nada mais é que qualquer uma dessas opções preparadas em molho, do jeitinho que você ou a turma aí de sua casa preferem. Use pouco ou nenhum óleo no molho. Retire do fogo para esfriar enquanto você prepara a massa. Se usar azeitonas, retire o caroço para evitar acidentes.

Preparação da massa e do empadão

Coloque todos os ingredientes no liquidificador. O fermento em pó por último.
Use um pirex ou forma refratária grande, que a massa cresce e ferve. Unte com manteiga ou margarina. Despeje um pouco da massa até forrar o fundo da vasilha. Depois coloque o recheio com o molho. Despeje o restante da massa, que vai se misturar ao recheio. Ele escorre e se mistura com o molho. Se o pessoal gosta de queijo, cubra a massa com queijo parmesão ralado uns 1o minutos antes de desligar o forno.

Leve ao forno médio por pelo menos 35 minutos. A massa deve ficar bem coradinha. Faça o teste do palito.

Com esse empadão está feito o almoço, o lanche da noite, o prato salgado da festa de aniversário, o deus-nos-acuda daquela turminha que chega sem avisar, o enche-boca dos amigos de seu filho.
Prepare-se para os elogios.

Sim, se comer demais vai engordar, mas você é educadinho/educadinha e saberá comer só duas porções.

Não tem foto porque a que eu preparei...NHAC!

8 de mai de 2007

Isso que é fé na humanidade!

A Livraria Catarinense, uma das maiores livrarias daqui, começou há algum tempo uma campanha muito interessante, corajosa e ímpar.

Recebo o jornalzinho dela com certa freqüência, embora nem faça compras lá há tempos, porque descobri um sebo fantástico, mas quando li o rodapé com o convite para a campanha fui obrigada a reler, porque fiquei com a impressão de que eu havia trocado letras, palavras e frases(ultimamente isso tem acontecido por aqui). Li com redobrada atenção. Era aquilo mesmo.

A campanha consiste em deixar em lugares públicos algum livro. Qualquer livro já lido ou não. Quem o encontrar lê e (espera-se)devolve ao mesmo lugar. Para engrandecer a campanha, deixa também no mesmo local ou em outro qualquer, outro livro.

Também tem a opção de deixar livros em escolas. Estes não teriam que ser devolvidos.

Se isso não for prova de que alguém ainda acredita nas pessoas então não sei mais o que é confiança.

Quanto a esta alma aprendiz, devo confessar que percebi que não sou o tipo de pessoa assim tão isenta de preconceitos, porque não tive coragem de deixar nenhum livro na rua, ainda. Minha participação continua com doação de livros e revistas para o Lar Recanto do Carinho*. Mas já me senti tentada a deixar algum em local bem visível e ficar espiando só para ver a cara de quem encontrasse. Quem sabe na próxima ida à Felipe Schmidt!

-Tem um livro aí, tia?

* Ali crescem filhos de aidéticos, alguns portadores do vírus, outros não, e que, contrariando todas as expectativas, nasceram condenados a poucos anos de vida e hoje são crianças e adolescentes que precisam de tudo, desde chinelos, casacos, calcinhas, cuecas, leite, biscoitos, arroz, sabonete,...tudo! E aceitam qualquer doação para eles e suas famílias, inclusive restos de construção, objetos usados, objetos novos. O que eles conseguem vender na feirinha vira remédio e comida. E muita coisa vai para a família das crianças.

7 de mai de 2007

Cuidado com os burros motivados!

Segunda parte da entrevista (Leia a primeira logo aí embaixo)
Os negritos são meus.

Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.
Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia a todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ - Há um script estabelecido?
Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ? "Qual é seu defeito?" Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar".
É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: "Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir". Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki - Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.
CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS.Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado.
Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ - Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima.Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ - Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki - Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis.
Quem vai salvar o Brasil? O Lula.
Quem vai salvar o time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.
O problema é que eles não vão salvar nada!
Tive um professor de filosofia que dizia: "Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham". Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.
(...)


ISTOÉ - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.
A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.
(...)

3 de mai de 2007

CTRL+ C = Sucesso

Em dia de cuidar de gato doente, o atalho do teclado ajuda.

Na mesma semana que postei aquela perguntinha capciosa sobre o que é sucesso, recebi esse texto. Coincidência? Não sei.

Leia, copie, pule, selecione, repasse. E leia a segunda parte no próximo post.


Cuidado com os burros motivados

Entrevista concedida a Camilo Vannuchi.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em "Heróis de Verdade", o escritor combate a supervalorização das Aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki - Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.
Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.
Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ -- O Sr. citaria exemplos?

Shinyashiki - Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.
Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito "100% Jardim Irene". É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.
Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.


ISTOÉ -- Qual o resultado disso?

Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece.
A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

Continua no próximo post.

N.B.: O texto foi enviado sem a data de publicação na Revista.