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28 de fev de 2007

Para compensar a ausência, texto quilométrico e molhado

QUANDO BELEZA E ÁGUA VIRAM BURACO
A primeira vez(depois de adulta) foi no Moçambique, uma praia belíssima, de mar nada manso. Faz mais de quinze anos, talvez vinte. Quem resistiria a um banho rápido, na beiradinha, para matar o calor depois da caminhada de quase uma hora com meia dúzia de amigos e amigas? Afinal, são 7.500 metros de areia!

Enquanto a turma sentou na areia fofa eu e um gringo só-músculos-cérebro-nenhum, encaramos aquele mar azul com água pela cintura, que ninguém era louco! Veio a onda, pequena, modesta, sem intenção nenhuma. Então os dois furamos, sem receio. Deus! Que água! Que coisa fantástica!

Aí..., ops! cadê a areia que estava aqui, logo aqui, debaixo dos meus pés? Será que essa onda era maior do que parecia ou eu peguei um buraco? (Para quem não sabe, quando o mar fica muito agitado cria buracos no fundo. Às vezes a gente está com água pelo joelho e de repente, numa pisada, a água vai até o pescoço.)
Aquilo parecia um buraco sem fim. Mergulhar de novo, rumo à areia, que remédio! Mas aí, depois de umas sete ou oito tentativas, caiu a ficha e me dei conta de que estava num repuxo, ou, como dizem os salva-vidas, corrente de refluxo.

E lá da praia a turma chamando, anda, guria, que coisa, nunca vi ninguém gostar tanto de água, gringo, tira essa pata da água, vamos que a gente tem fome!

O gringo a três passos de mim. Ou a cinco braçadas. Nada, Clarice, nada com força, pra sair do buraco e do repuxo. E eu fui perdendo a força. Como é mesmo que se diz me ajuda em espanhol? A cabeça mandava pedir socorro e eu não conseguia lembrar da palavra. Acho que o cérebro fritou até a palavra socorro em português mesmo, por que eu não conseguia falar nada. Boca fechada para não entrar água.

A turma achando que eu me divertia. Consegui ficar de pé, mesmo com a areia fugindo de debaixo dos pés, escorrendo sabe lá para que praia, mas sempre para trás, rumo ao fundo.

Não sei a velocidade do filme, mas lembrei de um amigo que havia feito treinamento de sobrevivência na selva e na conversa, entre outras coisas, deu uma dica para sair de sufoco como esse: Mergulhe fundo. Procure ficar rente ao fundo e dê impulso na direção da areia. Engatinhe no fundo se for preciso. Arraste a barriga no chão.

Quando eu deitei na areia, a seca, finalmente, tremendo feito gelatina, pararam de conversar e de rir. Eu não garanto, mas eu devia estar da mesma cor da areia, sem fôlego e com vontade de estapear aquele gringo por não ter me dado a mão para sair, nem olhado para trás, e a mim mesma por não ter posto a boca no mundo em qualquer língua.
Foi assunto para o resto daquele verão. E o gringo dançou, claro!
(Continua no próximo buraco.)

8 de fev de 2007

Uma casa qualquer em 2065

- Voinho, conta de novo aquela história de quando as pessoas construíam casas com um lugar onde elas entravam todos os dias, mexiam num aparelho da parede e faziam aquela mágica de fazer sair água de um cano? Conta voinho! É que tá um calorão aqui e quando você conta essas histórias minha boca até parece que não tem areia.


- Ah, voinho, não é verdade que elas ficavam embaixo daquela água para tirar a sujeira? E que a água podia até ser quente ou fria? Ninguém tinha essas feridas naquele tempo? Jura que é verdade que ninguém precisava passar pano com óleo no corpo uma vez por semana para se limpar? Que ninguém era obrigado a raspar a cabeça? Que tinha gente que fazia esse milagre até mais de uma vez por dia? Vôôô! To falando contigo, vô! Ô, vô!

- Voinho! Um dia desses na escola ninguém acreditou quando eu contei dessas fotografias que você mostra, onde tem lugares com a tal água clarinha, clarinha, escorrendo em cima de uma pedra, com passarinho voando em volta de árvores, borboleta pousando no barro, florzinha branca perto da árvore. Mostra outra vez! Juro que não vou deixar marca de poeira no celular.

-Vô, também ninguém acreditou quando eu contei que a vovó tem uns pedacinhos de sabão cheiroso, que ela ganhou da mãe dela, escondidos no armário do quarto. Eu pedi pra cheirar um pouquinho e ela deixou, mas depois guardou rapidinho. Para não perder o cheiro, ela disse. Ela contou que aquilo era colocado embaixo da tal água e virava espuma, que a mãe dela usava para tirar a poeira, o suor e que até deixava ela toda cheirosa. A voinha diz que se lembra de quando ganhava colo e sentia aquele cheiro doce do sabão cheiroso. Sabonete? Pois, é. Sabonete.

- O que é espuma, hein, vô! Verdade? Parecido com aquela preta do rio Amazonas?

-Vô! Não dorme, vô! Vô! Vô! Não adianta fingir, eu sei que você não tá dormindo! Vai, conta daquele lugar, daquele tanque enorme cheio da tal água, onde deixavam crianças para brincar o dia inteiro. Não era azulzinha aquela água? Por que era azulzinha, hein, vô?

- Vô! Comida que ficava dentro de bacia com água não tinha poeira mesmo? Você não conta mentira, né? O Zeca disse que a mãe dele encontrou uma lenha seca que já foi árvore, com nome bonito. Macieira? Nome engraçado!

- Dormiu, é? Já volto!

_ Vóóó! O voinho hoje não quer contar a historia do cano que saía água e fazia as pessoas ficarem cheirosas. Então conta aquela história do cano que ficava na cozinha. Quando tinha prato que não era de papel. Que tinha um fazedor de espuma para limpar o prato e as panelas. Era fazedor de espuma igual àquele que passavam nos carros e escorria pela rua? Não! Eu ainda não acredito que tinha cano que fazia água de varrer calçada! Ninguém me convence de que tinha tanta água assim naquele tempo!

-Vó! Fala a verdade! Quando você era criança ainda conseguia tomar banho de canequinha*? Só quando sobrava no fundo da bacia? E é verdade que com a água suja vocês molhavam as plantas? Tinha até flor em casa? Hum..sei, tá fazendo comida e não tem vontade de conversar.

- Hei,vô! Acorda! Quero saber daquela água que tinha gosto de sal e era azul, fazia onda e tiravam peixe para comer, onde entravam para lavar o corpo todo de uma vez. Mar? Eu ainda acho que essas fotos foram coloridas com o novo programinha. Não é possível que essa água marrom um dia tenha sido azul desse jeito e que não tinha cheiro de enxôfre! Como é que alguém vai acreditar em mim quando eu mostrar no meu MP127?

- Vô, senti aquele seco na boca de novo, tá até ardendo. Olha só! Ano que vem, quando eu fizer dez anos, será que ainda vou sonhar com essas fotos de montanhas pintadas de verde? É tão lindo, né?

- Mas o que eu queria mesmo era que passasse essa sede, vô...

- Ah, vô, não chora!

(*) Susana, que ontem acionou o banho de canequinha, tirou o monólogo do rascunho de papel.

Foto:daqui

6 de fev de 2007

Eu adoro isto!


Torta de Ricota


Massa

200 gramas de manteiga(esqueça a margarina!)
250 gramas de farinha de trigo
200 gramas de açúcar
2 colheres de fermento em pó

Recheio
1 lata de leite condensado
200 gramas de ricota ou queijo quark
2 ovos
Misture e despeje sobre a massa.


Deixe a massa "descansando" enquanto prepara o recheio. Depois estenda com rolo e forre uma forma, de preferência de fundo removível, mas não é indispensável que seja.

Se você prefere massa podre bem sequinha, asse a massa antes de colocar o recheio, por 15 minutos, no máximo. Fure a massa com garfo, antes de levar ao forno. Coloque o recheio e depois leve ao forno novamente por mais 25 ou 30 minutos. Cuidado para não queimar!

Para assar a massa junto com o recheio, ponha no forno médio alto(180 a 200 graus), por 30 a 40 minutos. Retire e deixe esfriar antes de servir.

Sei, tem gente que adora com uva passa, com rum. Essa é a torta básica de ricota, a que faz sucesso em Joinville, Blumenau... No mais, use a criatividade.
Foto: torta de ricota com cobertura de geléia de goiaba.