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23 de out de 2006

Que dia é hoje, hein?


Desde que deixei de sem empregada, com horário e estresse a que todo CDF tem direito, vivo deixando passar datas. Até de aniversário de amigos! Eu era a que não esquecia uma data. A agenda funcionava que era uma maravilha e a memória idem.


É tão bom receber um cumprimento, um cartão, uma mensagem, um carinho que atesta a lembrança e o lugar especial que as pessoas ocupam em nossa vida.


Agora, sem calendário e sem relógio(sim, tenho uma agendinha eletrônica, mas tem dia que nem ligo o computador), vivendo um ano inteiro de feriados, passei a ser a que se obriga escrever: Ops! Atrasada de novo.


Assim, a página que deveria servir para homenagear os poetas todos, no dia escolhido, ficou entre listas de compras, notas de material de construção, pasta com documentos do carro e revistas que não tenho conseguido ler.


Sei, esse negócio de dia disto e daquilo é chato, só se presta a vender mais e a deixar nó no coração de quem não ganha presente. Mas quem é do ofício de deixar fluir o que sente, sofrer com a dor alheia e enfeitar páginas e blogs com poesia de todos os tipos, bem que merecia ter lido isto no dia 20, que para quem não sabe, foi dia do poeta.


OS POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...


Esconderijos do Tempo

Mário Quintana

20 de out de 2006

Sai da frente, mané!


Neu, desta vez nem pedi licença e exponho esse devaneio. Imagine que Floripa é igualzinha a essa utopia. Depois acorde e tome um cafezinho por minha conta.
A moda aqui, agora, é xingar o motorista que parar antes da faixa de pedestre, a fim de permitir que alguém passe.

Um dia desses vou repetir o que fez um ex-colega(grande Lauri!). Mal abrira o sinal e já um babaca buzinou atrás do carro dele. Com a maior calma ele desligou o carro, desceu, olhou os quatro pneus, cutucou com o pé o cano de descarga, olhou para o motorista apressadinho e fez sinal de que não havia visto nada de errado. Enquanto isso o sinal mudou para amarelo e vermelho de novo e novamente para verde. Ele entrou no carro e se foi fazendo ciao para o quadrúpede motorizado, que quase explodia atrás do volante.

O sonho de Neu

"Sábado, dia 14 de outubro de 2006, entre 12:00 e 13:30 horas. O movimento de carros é muito grande, porém fluindo bem na ruas de Curitiba. A maioria dos carros, com 3, 4 e até 5 pessoas, porém o modo de dirigirem os veículos era completamente diferente dos dias normais na cidade e dos costumes dos curitibanos.

Nos sinaleiros, o amarelo era o sinal para diminuir velocidade e parar antes da faixa de pedestres. Ninguém acelerava ou buzinava apressando o pedestre na travessia da faixa, mesmo o sinal já mudando do verde para o vermelho.Não se viam freadas bruscas para parar e muito menos veículos em cima da faixa de pedestres.Na praça Tiradentes, ao lado da Catedral e em frente à galeria, todos os carros paravam e aguardavam a travessia de pedestres na faixa ali existente, em local sem sinaleiro.

Passei a reparar as placas dos carros: a maioria de outras cidades e estados.Turistas dando o exemplo de cultura e educação de como dirigir um veículo automotor e respeitar as leis do CNT e a todos os pedestres.

Num momento de devaneio, fiquei imaginando que um dia essa cultura e educação chegarão a Curitiba e passaremos a ter um trânsito menos tenso e violento, pois nunca vale a pena ter pressa para chegar a lugar nenhum.

neu costa - 60 anos - aposentado"



A imagem veio deste site , que tem recomendações fantásticas sobre como evitar acidentes, normas e muito mais. Vale uma visita demorada, sim senhor! Não olhe só as fotos tristes de acidentes.

18 de out de 2006

Simples assim

Alguém, por favor, pode me explicar, como é que funciona isso? É que nunca fui boa aluna de matemática.

Um homem de 50 anos é de meia idade.
Uma mulher de 50 anos é velha.


Antes de responder, anote que as mulheres vivem mais que os homens.

Como dizia o Sued: De leve!

15 de out de 2006

Como se eu fosse tua fada-madrinha



Ângela, se eu fosse, saberia que o aniversário foi no dia 13, mas mesmo assim e porque você merece:

Desejo que as alegrias sejam sempre maiores que as dificuldades.
Que as dificuldades te fortaleçam.
Que a fortaleza te conserve sensível como aprendi a te conhecer.
Que o conhecimento desperte desejo de sempre aprender mais.
Que a fartura sempre exista e te mantenha generosa.
Que o amor seja feito de pequenas coisas que conduzam à verdadeira união.
Que a família esteja ao teu redor.
Que a felicidade seja aquela que se encontra em bons momentos, não em adrenalina ou paixão.
Que a paixão te incendeie e te motive.
Que todos os motivos te façam sorrir.
Parabéns, menina-anjo!

Imagem daqui

Comece por aqui

Para quem não sabe por onde começar as mudanças:








01. Você acha um absurdo a corrupção da polícia?

Solução: NUNCA suborne nem aceite suborno!


02. Você acha um absurdo o roubo de carga e o assassinato de motoristas?
Solução:Peça a NOTA FISCAL sempre!

03. Você acha um absurdo a desordem causada pelos camelôs?
Solução: NÃO compre nada com eles! A maior parte de suas mercadorias são produtos roubados, contrabandeados e que tiram o emprego de brasileiros.

04. Você acha um absurdo o poder dos marginais das favelas?
Solução: NÃO compre nem consuma drogas!

05. Você acha um absurdo o enriquecimento ilícito?
Solução: Denuncie à Receita Federal aquele que enriquece repentinamente.Não o admire, repudie-o.

06. Você acha um absurdo a quantidade de pedintes no sinal ou de flanelinhas nas ruas?
Solução: NUNCA dê nada. Ajude o próximo de outra maneira.

07. Você acha um absurdo que qualquer chuva alague a cidade?
Solução: Só jogue o LIXO na LIXEIRA.

08. Você acha um absurdo haver cambistas para shows e espetáculos?
Solução: NÃO compre deles, nem que não assista ao evento.

09. Você acha um absurdo o trânsito da sua cidade?
Solução: NUNCA feche o cruzamento, deixe o pedestre passar, respeite os sinais.

10. Você acha um absurdo o poder econômico e militar dos Estados Unidos da América?
Solução: Prestigie a indústria brasileira! Escolha bem onde gastar seu dinheiro nas férias.

11. Você está indignado com o desempenho de seus representantes na política?
Solução: Nunca mais vote neles e espalhe aos seus amigos seu desalento e o nome dos eleitos que o decepcionaram.



Aumente a lista!





Texto adaptado de original sem autoria(recebido por e-mail). Buzine se conhecer o autor.
Fotografia: Bebê na areia(minha)

13 de out de 2006

Vai pra Porto, vai!

Mauro Castro, amigo, taxista-escritor, ou escritor-taxista, inspirado pai de Bruninha, manda um e-mail convidando para o lançamento de seu livro, que terá, com certeza, o mesmo sucesso de seu blog motorizado.

Imagino quantas histórias vão nascer dessa festa e virar post!




Se você morar pelas bandas ou estiver por lá, por favor me represente, e abrace essa pessoa fantástica que ele é.

É tão bom ver um amigo alcançar objetivos. Ah, que bom ter razões para comemorar, mesmo a distância.

Se Bruninha estiver por lá, lasque uma beijoca nela por mim, que a menina é um encanto!

E compre o livro, claro!


Parabéns, Mauro! Estou muito feliz por você.

Muitas vendas, muito sucesso!

11 de out de 2006

Um beijo na bochecha!




Feliz dia da criança!




Não a irresponsável, nem a birrenta.
Não a pidona, mas a que estende a mão.
Não a egoísta, mas a que oferece o brinquedo.
Não a chorona, mas a que sorri enquanto seca a lágrima.
Não a que só quer, mas a que divide.
Sempre a que sabe encontrar a alegria e motivos para ser feliz em coisas esquecidas pelos adultos.


Que melhor forma de comemorar que a de oferecer um sorriso a qualquer criança?


Que melhor festa que a de levar um brinquedo, uma roupa, um alimento a qualquer casa, a qualquer creche?


Faça um dia lindo NO DIA DA CRIANÇA. Para todas as crianças que estão perto de você e para a que está mais que perto também.


SMACK!




Na foto, Emmet, netinho de JIM VOVES , meu distante e querido amigo.


7 de out de 2006

DOROGA!



É assim mesmo que se escreve. Quer dizer caminho em alguma língua entre russo, armênio, yugoslavo, afegão ou parente deles.

Tudo começou quando recebi essas fotos de um amigo. Ele não sabe onde fica essa maravilha. Eu também não. E numa dessas decisões que podem até tirar meu sono, resolvi pesquisar. Primeiro o Google, depois o Mooter e assim por diante.

O oráculo teimava em me corrigir"você quis dizer drogas" e espalhava umas duzentas páginas de links. O que tem de droga neste mundo, que coisa!

Aí comecei a brincar com aquilo. Um artigo em inglês na frente, um "s" a mais, aspas, sinal de adição, imagens desfilando, pessoas que parecem ETs, dividir a palavra, trocar por trogas... Até que numa decisão cortante tirei o "s".

EUREKA! Eureka, não! Caminho. Todas as imagens apareciam com algum mapa ou foto de estradas, paisagens belíssimas. Uma perdição! Só podia ser caminho!

Espalhei as fotos no Fotoamigo, depois no Flickr e só cacei uma sugestão: Yugoslávia! Deu água.



O amigo que começou essa caça informa que alguém contou pra ele que, quem sabe, talvez, seja alguma cidade do sul da França. Sim, já convoquei Miladycarol.

Para eu não ficar até o verão caçando doroga, por favor, convoque sábios, experts, viajantes e connaiseurs(socorra-me Dalva, se errei a escrita, que já faz tempo!) e salve esta mulher do triste destino de definhar na frente do computador. Porque eu só vou desistir se realmente a paisagem já foi destruída ou se as fotos são de Marte!



Nem precisaria dizer, mas eu digo, que do jeito que gosto de fotografias, me perdi em tantas imagens, sites, links e desvios e...nada da doroga! Ou melhor, achei muitíssima doroga, mas não a(o?) das fotos.

O sol já se foi, estou só com a luz do monitor para não acordar a gatinha folgada que dorme no meu colo. Nem saí do Google ainda! E nada da montanha, ou falésia, ou rochedo ou seja o que for dar as caras.

Passados zilhões de cliques vi tantos caminhos, que deu vontade de pegar uma bicicleta e virar o mundo.

Se não quiser entrar no time da pesquisa, entre por curiosidade no Google e digite "doroga", depois clique em imagens.



Peça para alguém trazer teu jantar, teu almoço, o café da manhã... Só por garantia.

Não esqueça de me avisar se encontrar alguma coisa, ou se alguém que você conhece encontrar.







Update: É na China!

Pelo óbvio, não tenho como identificar as fotos nem a origem.

2 de out de 2006

O Encontro com a Dor


Hoje eu vou abusar de quem passar por aqui. Porque tem coisa sufocando e isto, no final das contas, é meio assim como um diário. Muito embora pareça que vou abordar eleição, não vou. Já há sábios demais a palpitar e julgar.


DOR SEM FIM

É inevitável que ocorram encontros inusitados em dia de votar. Meu lugar de votar é uma escola. Lugar onde eu só entrei nos últimos anos para votar, que filho que vai à faculdade não leva a mãe a tiracolo.

Eu entro apressada, sempre. Neste domingo ainda mais, já que a previsão era de chuva e o trânsito estava um caos pelas redondezas. Todo mundo quer parar a menos de dez metros do portão. Choveu e chove até agora. Pelo menos essa previsão se cumpriu.

Terminado o dever, espio alguns quadros que deixam à mostra um tantinho da vida escolar, já tão distante, alguma arte nos muros, aquele cheiro de pátio de escola, inconfundível. Quem já foi professor ou perambula por colégios sabe do que eu estou falando. As lembranças desfilam rápidas pela minha cabeça: Escola. Trabalho. Sacrifícios. Vitórias. Risos. Gratidão. É uma mistura de imagens que procuram a porta de saída junto comigo.

Então eu a vi! Depois de muitos anos. Intimamente eu sempre desejei nunca mais encontrar essa pessoa, porque eu tinha certeza de que não saberia o que dizer e o que fazer. A incompetência para lidar com a dor comungada.

Ela passou junto da filha e minha boca agiu independente de minha vontade. Eu a chamei. Eu, que nem tinha sido vista. Quando essas coisas acontecem eu nem procuro explicações.

E foi um cumprimento efusivo de minha parte. Intenso. Porque ela ajudou a educar meu filho. Foi alfabetizado pelas professorinhas que ela escolheu para cuidar dos pequenos preciosos que eram deixados no colo dela. Numa escola chamada Petequinha.

Percebi que foram tantos os alunos e que talvez eu tivesse mudado tanto, que num primeiro momento ela não me reconheceu. Depois que falei o nome de meu filho vieram as perguntas de praxe. Poucas vezes eu me vi em uma situação tão delicada. Eu tinha a impressão de que iria desatar o choro a qualquer momento.

Meu filho e o mais jovem dela passaram muito tempo juntos, na escola e na casa dela. Ela "emprestava" meu filho para passar o final de semana com a família dela. Era uma afeição genuína, forte, e os dois se entendiam muito bem. Meu filho era acarinhado, abraçado e tratado com muito afeto pelo casal e pelos outros três filhos. Do mesmo jeitinho que eles tratavam o menino mais moço. O temporão era alvo de toda a atenção da casa. Era lindo ver como era tratada aquela criança. E sobrava carinho para meu filho.

E ali estava eu, numa escola, num dia de votação, respondendo que meu filho está bem e que trabalha, está um homem. Sem saber o que mais dizer para uma mãe com o rosto profundamente marcado por rugas, mas, principalmente, com os olhos mais tristes que eu já vi. Que eu não queria ver. Porque eu sabia que aqueles olhos ficariam dentro dos meus por muitos dias, por muito tempo. Para sempre.

Há uma dezena de anos atrás esse filho temporão bateu num carro parado, onde estava um casal de namorados, numa avenida em que sempre aconteceram acidentes por excesso de velocidade ou imperícia. A moça morreu. O filho dela foi condenado.

É difícil explicar como isso repercutiu em mim. Mas foi como se uma parte da vida de meu filho tivesse sido roubada, quando eu soube. As duas famílias perderam um filho. E eu perdi uma referência.

E, assim, nesse domingo, cumpriu-se o "Maktub"( sim, estava escrito), fechou-se o círculo, e eu pude, finalmente, abraçá-la, repetidas vezes, silenciosamente, e deixar que só meus olhos dissessem que eu sabia da dor, que eu não deixara de amá-los apesar do erro do filho, apesar do tempo.

E eu espero que ela tenha entendido por que eu a abracei tanto. Eu desejo que ela tenha entendido que quando saí daquela escola, quis carregar comigo um milésimo da dor que mora nos olhos dela. E carreguei.

Na verdade, acho que eu só me enganava. Eu queria esse encontro, mas tinha medo de encarar a dor dela. Porque sabia que dor de mãe que perde um filho nunca acalma.


Foto: Pablo e Clarice em tarde de domingo