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29 de out de 2005

Transversal do tempo

Em 1976, alguma coisa me levou a rascunhar isso, que acabo de encontrar entre papéis, que aos poucos, bem aos poucos, respeitando o andar das horas no paraíso, estão sendo ordenados, rasgados, guardados de novo. A cada mudança de endereço o volume de papéis guardados diminui, mas tem sempre uma caixa que me acompanha. Questão de segurança: se um dia eu perder a memória, abro a caixa e saco meu passado todinho. Faz de conta!

Há quem diga que o presente é que importa. Eu concordo, e não fujo dele, mas é tão doce se deixar transportar de volta por segundos, fechar os olhos, sorrir e tentar lembrar de como eram as pessoas, o ambiente, a paisagem, nosso leiaute, os sentimentos, os cheiros, os sons... Oh! Yeah! Só coisas boas, que são o combustível para lembrar de quem somos, o quanto forte já fomos e tirar de letra as dificuldades que nos cercam agora. As lembranças menos boas só devem servir prá não repetir burradas.

Nossa! Último ano de faculdade, vai ver já era crítica contra políticos. Ou o tempo estava rápido demais. Não pode ser confissão de pessimismo.




Na rua vazia
o tempo voa.
No tempo dos homens
a vida vazia.

A rua,
a vida,
vazia.

Na rua,
no tempo,
a glória dos homens.

Na rua da vida
a chuva
e a glória
viciam.

Na rua da vida
a vida-mania.
O tempo
vazio.

No vício dos homens
a chuva embacia
os olhos do tempo.

A vida
sempre
vicia.

A chuva
sempre
embacia.

A gória
sempre
vazia.

O tempo
sempre
a mania.


Foto e efeitos de MIKEDONAHUE

27 de out de 2005

LA VIE EN ROSE...


Quando aqueles dois que comeram a maçã foram expulsos, devem ter sentido o que sinto cada vez que não tem mais como adiar e preciso ir ao centro da cidade. Hoje foi o dia. Claro que saí com sol e voltei com chuva, qual seria a novidade nisto? Também nada estranho ficar atrás do caminhão com uma piscina, nem da carrocinha, nem do carro da mocinha aprendendo a dirigir. Normal. Normalíssimo.

No roteiro, depois de outras estações, uma loja de puxadores, cabides, toalheiros e outras coisas liiiiindas, a que a gente só resiste se sair de casa sem talão de cheques, sem cartão de crédito e sem dinheiro. Vê se eu iria fazer uma viagem dessas assim desprovida.

Não sou o que se possa chamar de perdulária, gastadeira, viciada em comprar. Nada disto. Acho até que sou controladíssima. Registro cada real gasto e nunca vou além do que tenho. Mas da próxima vez vou ficar na soleira da porta da loja e chamar a vendedora, entregar o bilhetinho e esperar. Juro que não dá prá ver tanta coisa e não se presentear com um caquinho que seja.

O raciocínio é mais ou menos assim: "Se vou comprar tanto para a casa, então posso me dar alguma coisa que custe, digamos, um por cento do total da compra", mais ou menos isso. Antes que o um por cento virasse coisa muito séria, tive que mandar passar o traço e saí correndo.

Quem mandou colocarem em oferta as panelas de inox, que eu estou namorandoandoandoando, desde que vi a reportagem sobre a encrenca que é usar panelas com teflon? Menos da metade do preço da outra loja? Não dá prá deixar lá. Isto nem é presente. É investimento.Hohoho! E lá se foram as panelas para a sacola. E a irmã que fez aniversário? Na próxima visita tem presente? Tem. Vai o presente. Pois, entre panelas, potes e cabides, salta o meu presente! Foi a dica prá achar a porta.

Quando no meio desse sacrifício que é comprar(hi!hi!hi!) a gente se derrete por ouvir alguma coisa romântica(calma, nada comigo!), tem que reconhecer que o coração tá amolecido. Será que o susto com o cara que quase bateu em meu carro me deixou vulnerável e nervosinha?

Coloca isso na tela: Ele aponta um puxador e diz: "Tesouro, veja que lindo esse! Muito prático e bem discreto, não é?" E dirige um sorriso para a mulher que está a seu lado. " Você sempre encontra coisas lindas, meu querido!", responde a mulher. Não, eles não estavam me vendo, estavam até bem isolados, então não era teatro. Ah, vai, cena comum em qualquer loja, qual é a grandeza disso? Pois eu achei. Afinal ele tinha fácil, fácil, mais de 70 anos e ela uns 60 e tantos.

Eu não sou uma bobona romântica? Mas foi lindo ver e ouvir isso. Pode ser que já tenham brigado, dito coisas menos doces um para o outro, mas quem conversa assim quando pensa que está sozinho deve ser mesmo o melhor amigo do seu amor. Ai! Ai!

Tá bom, em casamento desse tipo eu até faço fé!

(A foto é de Shakeh/, que mora no Irã e faz arte com tinta e colagem.)

25 de out de 2005

OLHANDO DE BINÓCULOS


De vez em quando aparece uma mensagem sobre casamento em minha caixa. Até hoje não encontrei razão para isso, além de que eu faça parte de uma lista de endereços, pois meus amigos sabem que não sou casada e nem penso nisso; que acredito em amor e não em fórmulas e contratos. Se o texto é bom eu leio. Caso contrário, tem o destino que merece.

Casamento da forma instituída e seguida por ali e alhures não me
atrai. "Amor eterno enquanto dure e um beijo no queixo." Amigos
para sempre já é complicado, mas ainda acho que é mais fácil ser amigo-amor que amor-para-sempre.

De qualquer forma, para quem é casado, pensa ser ou nem pensa nisto, há textos inteligentes, apesar de não terem muitas novidades.
Há perspectivas de que minha caixa continue recebendo estímulos. Quanto a mim, vou ficar filosofando se vale a pena colocar todos os ovos na mesma cesta.

(Foto de Mike Donahue)


Stephen Kanitz é administrador por Harvard e tem este site. Aproveite.

24 de out de 2005

Ma, que bella!

Ciao!

Isso de entrar num site de um lugar como Venezia, vista do chão ou do alto, talvez de um satélite, é um perigo! Se a gente espiar pela webcam então, é pura perdição! Clica e clica e clica, enche o ambiente de oh! e ah! e quando vê perdeu a hora, o arroz queimou, a água secou na chaleira, a caminhada fica prá amanhã, o cafezinho esfria. Mas sem nenhum remorso, porque é uma viagem que custa pouquíssimo, nada mais além de um pouco de tempo.

Se você está disposto a perder a hora, deixar aquela carta ou aquele serviço prá amanhã, clique nos links.

Mesmo porque esse lugar, que sobrevive construído sobre estacas, está afundando e quem viu, viu, quem não viu, melhor olhar logo, porque enquanto os arquitetos brigam entre si, procurando o melhor jeito de manter tanta beleza, história e cultura sobre a água, ela vai subindo mais um degrau.

Repare na foto que Sallie chamou de "Entrada do Restaurante" e veja outras de vários lugares da Itália, principalmente de Napoli aqui.




Ciao!

(Dica do site: Lê)

12 de out de 2005

MÁQUINA NA TERCEIRA IDADE (Ou antes que eu jogue esta tralha pela janela)

Enquanto o computador vai para uma cirurgia(adiei enquanto pude, mas ele está me deixando maluca), em busca de prolongamento da vida, deixo vocês com o Bruno Bozzetto, sempre divertido mas profundo .

Quando a caixa de lata voltar, eu espero encontrar recado dos meus 9 muitíssimo seletos leitores. Fazer o quê? Sou otimista.

11 de out de 2005

BOM DEMAIS!


Hum, vai chegar uma turma de grandinhos e pequenininhos no feriado e você ainda não pensou na sobremesa? Que tal o rei dos pudins prá ajudar?

Enquanto eles brincam lá fora, você toma uma cervejinha e prepara essa delícia.

Vamos lá!


Ingredientes

4 ovos
1/2 lata de creme de leite com soro
1 colherzinha de café de essência de baunilha
85 gramas (ou 5 colheres bem cheias) de açúcar ( mais 6 colheres de açúcar para as claras)
180 gramas de miolo de pão esfarelado
1 pitada de sal
1 pote de doce em calda de amora, ou damasco, ou morango, ou pêssego, ou...

Preparando

Coloque o doce de frutas no fundo de uma forma refratária.
Em outra tigela misture 1 ovo inteiro mais 3 gemas com o creme de leite, o acúcar, a essência de baunilha e o farelo de pão esmigalhado.
Coloque essa mistura sobre o doce de frutas
Leve ao forno por 30 a 40 minutos em forno médio.


Bata as claras em neve com a pitada de sal e 2 colheres de açúcar para cada clara até ficar brilhante e fazer picos.
Depois de assar o pudim, retire do forno, cubra com as claras batidas e faça pontinhas com um garfo, para enfeitar. Leve ao forno novamente po 15 minutos(até dourar).

Retire uma porção e guarde para você, porque não vai sobrar nadinha!

Ah, você é do tipo preguiçosa? Compre um pote de sorvete e sirva com biscoito champanhe. Ou faça uma torre de bombons e coloque no meio da mesa. Ou corte laranjas doces descascadas, sem sementes, em fatias e cubra com calda fervente de laranja e sirva com biscoitos de chocolate.

O mais importante é ser doce. O mais importante é o carinho. Deixe a criançada brincar. Brinque com eles! Não reclame da sujeita ou da bagunça. Não amanhã. Leve doces ou brinquedos para crianças de alguma creche. Mostre aos seus filhos ou sobrinhos ou filhos de amigas, que existem crianças menos favorecidas. Faça um passeio diferente. Pegue aquele álbum de fotografias e relembre sua infância ou a de seus filhos. Ria com eles. Vá a algum parque e participe de alguma brincadeira. Não deixe a infância deles (e a sua) passar em branco, pelo menos amanhã. Tá combinado?

Feliz dia da criança!

( O menino rolando nas dunas é meu filho, fotografado por mim, faz um tempão.)

7 de out de 2005

Sem frescuras, mas com gelo e muitas louras

Se você está a fim de trocar aquele velho drinque por uma nova experiência, gosta de bebidas com um toque adocicado, experimente este:

Num copo alto coloque duas rodelas de limão esmagadas, 4 cubos de gelo, cubra o gelo com vinho do Porto.

Pronto! Tá esperando o quê? Pode beber!

Tim! Tim!

Também, com este tempo meleca, até a inspiração e vontade de escrever vão prás cucuias. Sobra o tempo de pensar no que se vai comer e beber, não tô certa?

Abra este site antes de beber, prá não botar a culpa no álcool.

6 de out de 2005

POW!!! CRASH!!!

Faz uns dez anos. Sete horas da matina. Até aquela hora tudo tinha sido obra do piloto automático. Levantar, lavar, comer, vestir, escolher o ônibus certo, embarcar. Tive sorte. Janela. Pelo menos fiquei livre do cheiro de sovacos e roupas mal lavadas.
Quando eu tinha menos sorte e viajava em pé, me chamava de idiota por deixar o carro na garagem e ir de ônibus trabalhar, mas era isso ou ficar rodando em busca de vaga. Depois, o dia inteiro torcendo prá encontrar o carro intacto à noite. Ou pelo menos encontrar o carro onde eu o havia deixado. Ou onde eu pensava ter deixado. Mais de uma vez eu lembrava da vaga ocupada no dia anterior e esquecia que naquele dia o carro estava do outro lado da cidade. E toca a caminhar! Coisas do estresse. Que não era pouco.
Andar de ônibus tinha algumas compensações. Eu olhava a paisagem, sempre belíssima. E lia doidamente. Era a única coisa que não me deixava ouvir aquele povo conversando como se fosse o último dia que tivessem o dom da palavra. Por Zeus! Como eles tinham vontade de conversar tanto e com tanta animação àquelas horas? Eu mal sabia a direção que deveria tomar, tenha dó! Só iria acionar a máquina umas duas horas depois. Então eu lia e me refugiava nesse silêncio que só os bons livros concedem a quem viaja nas palavras. Às vezes eu resolvia palavras cruzadas, mas só na volta, quando o cérebro já tinha sido aquecido. De manhã seria suicídio.
O ônibus esperava pelo sinal verde na ladeira. Mais dez minutos e chegaríamos ao terminal. Era todo o tempo que eu tinha prá terminar de acordar um lado do cérebro. Alguém sentou na vaga deixada ao meu lado. Levantei os olhos do livro. Alguns rapazes murmuraram alguma coisa sobre a moça de cabelos negros e encaracolados que descia pela calçada, bem perto de minha janela. Conferi distraída se a figura merecia tanto assanhamento- eles acordam a toda, esses meninos! Eu ia tentar voltar ao livro, mas uma outra moça em sentido contrário me distraiu. Mais comentários e alguns assobios dos rapazes. Ah, sim, até que eram bonitinhas, bem vestidas, bem arrumadinhas. E foi sem aviso. Quero ser um mico de circo se alguém naquele ônibus poderia imaginar o que iria acontecer. Enquanto o ônibus começou a se movimentar as duas se atracaram. Foi ao mesmo tempo. Uma olhou para a outra e se agarraram pelos cabelos. Acho que a de cabelos longos já saiu perdendo. Foi com gana. Com ódio. Uma querendo trucidar a outra. O ônibus arrancou de vez e os rapazes deram um jeito de ir para o fundo e foram narrando a briga até que as duas desapareceram de vista.
Eu passei o dia pensando na cena. E de vez em quando ela volta e ainda me faz rir pelo inusitado. Claro que tinha homem na história. Foi o comentário geral no ônibus, entre risadas nada disfarçadas. Parecia óbvio. Mas poderia não ser. E se fosse caso de serem vizinhas mal resolvidas? Fofocas, quem sabe? Não. Só podia ser coisa de namorados. De amores mal resolvidos. Até aquele encontro, porque aquilo deve ter sido definitivo.
Que exista a tal coincidência, mas dar de cara uma com a outra assim, de manhãzinha, em plena calçada?
Do outro lado da rua, a Delegacia da Mulher. É de imaginar que a delegada tenha mandado algum policial separar as duas. Separar duas mulheres de unhas afiadas deve ter apagado o sorriso dele. Sim, sim, eu já estou no campo das adivinhações, mas garanto que o povo todo do ônibus concordou que a passagem naquele dia valeu o dobro.

( A moça aí da foto é Olga Bakalopolous, profissional de outro tipo de briga. )

5 de out de 2005

Nada como Poder Pensar


Coisas em que tenho pensado:



Aborto é, definitivamente, assunto de mulher. Vamos deixar de hipocrisia! Se sua mãe, irmã, namorada, esposa for estuprada e resultar dessa violência uma gravidez?

Você só é contra tinta de cabelo até aparecerem os primeiros cabelos brancos.

Se armas garantissem segurança, os Estados Unidos seriam o país mais seguro do mundo. E isto não é verdade.

Se você for assaltado ou seqüestrado e tiver uma arma, a possibilidade de você ser assassinado com ela é de 9o%.

75% dos seres humanos têm dentes desalinhados. O documentário da TV levanta a hipótese de que esteja acontecendo uma nova evolução da espécie.

Enquanto você lê esta frase, mais uma criança morreu de fome, abuso, guerra ou desnutrição. São trinta mil por dia.

Eu tenho direito de não me sentir mal por não ser gorda, nem tão magra quanto uma top model. Cada um que cuide do que come.

Cirurgia plástica faz quem quer, quem pode e quem precisa.

Eu fujo de homens de capricórnio.

O rapaz das propagandas das Casas Bahia é um mala!

Eu não suporto mais notícias do Iraque.

Traz, atrás e antraz são coisas bem diferentes.

Existe presidente perfeito?

Toda dieta começa no supermercado.

As Igrejas que cuidem da fé. Da política cuidem os eleitores.

Eu tenho atraído muita porcaria. Preciso de um banho de sal grosso ou os opostos ainda se atraem?

Se guerra resolvesse, só teria havido uma.

Velhice não me inspira respeito. Canalhas também envelhecem.

Um país que elege Lampião como herói e um seqüestrador como deputado merece o quê ?

O casamento e os filhos de psicólogos e psiquiatras deveriam ser perfeitos.

Os médicos não deveriam adoecer.

Eu tenho pensado coisas muito esquisitas. Mas é um direito meu. Exerça o seu.

A foto é de Mike Donahue

3 de out de 2005

Ela Chegou!

A primavera chegou dia 22, mas só desembarcou ontem. O domingo foi dessa cor, ó:
Eu não fiz fé, porque tem chovido tanto! Mas hoje o dia foi mais um presente, cheio de vento e de azul.
Ser feliz é assim. Azul.
(A aprendiz de fotógrafa fui eu. )